Cientista do Porto investiga IA em enzimas que degradam plásticos

    O trabalho visa "simular a enzima" para estudar a forma como funcionam com plásticos, para "estudar como, eventualmente, vai catalisar a reação química", revela o investigador.

    O investigador do Porto Alexandre Pinto está a estudar o uso de inteligência artificial em ferramentas de design computacional de enzimas, com o objetivo de criar organismos capazes de degradar vários tipos de plásticos.

    Em concreto, tem trabalhado uma enzima específica que se relacionada com o PET, o polietileno tereftalato, a partir do qual são produzidas, segundo números globais, perto de 500 mil milhões de garrafas por ano deste plástico, explica à Lusa o investigador, também professor associado convidado na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP).

    O trabalho, nesta fase, é “simular a enzima” para estudar a forma como funcionam com plásticos, para “estudar como, eventualmente, vai catalisar a reação química”, usando essas simulações com base para a inteligência artificial, cuja utilização reduz os custos e recursos usados para fazer o mesmo trabalho.

    Este estudo levou-o a uma bolsa da Federação Europeia de Sociedades de Bioquímica e à Universidade de Girona, em que trabalhará até sexta-feira, a caminho de outras bolsas a que procura candidatar-se, para prosseguir um trabalho que, admite, está ainda numa fase prematura da cadeia que pode levar à aplicação prática no mercado.

    Esta atual bolsa é “uma boa oportunidade” de arrancar um projeto “ainda mais aprofundado e mais abrangente”, com outras classes de plásticos em estudo.

    Estes estudos experimentais já vêm do trabalho que fazia no doutoramento em Química, que concluiu em 2025, e vai prosseguir sem “objetivo final, porque é uma coisa que tem de ser continuamente otimizada”.

    O fascínio com enzimas, entidades “tão complexas” que o cativaram, aliando a isto a preocupação com o ambiente, levam-no a estudar aplicações que podem ter impacto na vida quotidiana, sobretudo num contexto em que, lembra, Portugal ainda está aquém dos números de reciclagem necessários.

    “Estou a olhar para dados do Plastics Europe, de 2024, e de todos os plásticos produzidos, ou seja, todos os que entram no mercado, 9,5% são reciclados com métodos mecânicos, e apenas 0,1% são reciclados com métodos químicos”, lembra.