A partir de 1 de setembro: o que muda quando ligar para o 112?

    Reorganização do sistema de emergência médica traz novas funções para os enfermeiros, altera o funcionamento das equipas de Suporte Imediato de Vida e transfere 100 ambulâncias para bases hospitalares. Ordem dos Enfermeiros garante que a capacidade de resposta à população será mantida.

    A partir de 1 de setembro entra em vigor uma nova organização dos meios de emergência médica em Portugal. Apesar das dúvidas e críticas que têm surgido em torno das alterações, a Ordem dos Enfermeiros assegura que o número de meios disponíveis para socorrer a população não será reduzido e que o objetivo é tornar o sistema mais eficiente.

    Uma das principais mudanças será a transferência de cerca de 100 ambulâncias para bases hospitalares. No entanto, segundo o Bastonário da Ordem dos Enfermeiros, Luís Filipe Barreira, em declarações às rádios da Bauer Media, estes meios continuarão integrados na rede de emergência e poderão ser acionados pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) sempre que necessário.

    A diferença passa apenas pela localização das ambulâncias, que ficarão sediadas nos hospitais e poderão ser utilizadas tanto para o transporte inter-hospitalar de doentes críticos como para responder a emergências na comunidade.

    Equipas SIV passam a usar viaturas ligeiras

    Outra alteração significativa diz respeito às equipas de Suporte Imediato de Vida (SIV), compostas por um enfermeiro e um Técnico de Emergência Pré-Hospitalar.

    Atualmente estas equipas deslocam-se em ambulâncias. A partir de setembro passarão a utilizar viaturas ligeiras, num modelo semelhante ao das Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER).

    A mudança pretende reduzir os tempos de deslocação, permitindo que estas equipas cheguem mais rapidamente ao local da ocorrência, cubram áreas geográficas mais extensas e regressem mais depressa à disponibilidade operacional.

    Caso seja necessário transportar um doente, continuará a ser mobilizada uma ambulância para garantir o acompanhamento clínico adequado.

    Enfermeiros reforçam triagem das chamadas

    A reforma introduz também uma novidade no funcionamento do CODU: os enfermeiros passarão a participar na triagem das chamadas através do Sistema de Triagem de Manchester, já utilizado nos serviços de urgência hospitalares.

    A medida pretende reforçar a avaliação clínica do risco logo no primeiro contacto com o sistema de emergência, ajudando a definir prioridades e a selecionar a resposta mais adequada para cada situação.

    Os profissionais envolvidos estão já a receber formação específica para desempenhar estas funções.

    Apesar do reforço do papel dos enfermeiros, a Ordem sublinha que os médicos continuarão a desempenhar as suas funções habituais no CODU e não serão substituídos.

    O que muda para os cidadãos?

    Para quem ligar para o 112 após 1 de setembro, as alterações deverão ser pouco percetíveis. O objetivo do novo modelo passa por utilizar cada meio de emergência de acordo com a sua função específica, tornando a resposta mais rápida e eficiente.

    Na prática, o cidadão continuará a contactar o mesmo número de emergência, mas poderá beneficiar de uma triagem clínica mais diferenciada desde a primeira chamada e de uma mobilização mais ajustada dos meios disponíveis.

    Segundo a Ordem dos Enfermeiros, a reorganização pretende aproximar o sistema da meta de resposta às situações mais graves em menos de oito minutos, sem reduzir os recursos colocados ao serviço da população.