ACP satisfeito com fim de trotinetes partilhadas em Lisboa
Carlos Barbosa, presidente do Automóvel Club de Portugal, manifestou satisfação com a suspensão das trotinetes partilhadas em Lisboa.
O presidente do Automóvel Club de Portugal (ACP), Carlos Barbosa, disse esta segunda-feira à agência Lusa estar “muito contente” com o anúncio da suspensão das trotinetes partilhadas e que o processo para um referendo vai seguir os trâmites normais.
“As trotinetes não só são uma coisa muito perigosa para Lisboa, como são uma coisa que atrapalha nos passeios, as pessoas vão em contramão, vão em cima dos passeios, as trotinetes são abandonadas nos passeios, portanto, estou muito contente que ele (Carlos Moedas) tenha tomado essa decisão”, afirmou Carlos Barbosa após a entrega na Assembleia Municipal de Lisboa (AML) das cerca de 20 mil assinaturas de cidadãos recenseados em Lisboa para a realização de um referendo municipal sobre a continuidade do sistema de trotinetes elétricas partilhadas na cidade.
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Carlos Moedas, anunciou na quinta-feira, num vídeo publicado na rede social X, que o sistema de trotinetes partilhadas ia ser suspenso na capital, referindo vários problemas com a circulação destes veículos.
🛑🛴 Vamos suspender o atual sistema de trotinetes partilhadas em Lisboa. Queremos uma Lisboa com passeios livres, seguros e acessíveis, onde todos possam circular em segurança. https://t.co/AMiGvdGafe
— Carlos Moedas (@Moedas) October 15, 2026
Posição do ACP
Para o ACP, a “medida drástica” de proibir este sistema é a única possível, uma vez que as “dezenas e dezenas” de cursos e formações para a utilização de trotinetes não deram resultado.
Carlos Barbosa assinalou ainda que “ninguém pede para acabar com as bicicletas, por exemplo, porque as bicicletas andam no meio do ambiente rodoviário e não prejudicam ninguém”, ao contrário das trotinetes, lembrando que “outras cidades na Europa já acabaram com elas porque provaram que, efetivamente, não só eram um perigo, como eram uma coisa gravíssima para a cidade”.
O responsável afirmou que o anúncio de Carlos Moedas em vésperas da entrega das assinaturas pelo ACP “é uma mera coincidência” e que o processo para a realização de um referendo “vai seguir os seus trâmites normais”.
Quanto à replicação deste processo noutras cidades, Carlos Barbosa apontou que, “para já Lisboa”, “porque é o caos” e existem dados estatísticos dos hospitalizados, nomeadamente “de crianças e adultos que passaram pelos hospitais” na sequência de acidentes com trotinetes. “Depois logo seguimos para o resto”, acrescentou.
A proposta para suspender a circulação das trotinetes partilhadas em Lisboa deverá ser discutida em reunião de Câmara na quarta-feira, adiantou à Lusa fonte do gabinete de Carlos Moedas.
Problemas de segurança em Lisboa
De acordo com o autarca, a cidade de Lisboa continua a ter “um enorme problema de segurança” com pessoas a circular neste tipo de veículo “em contramão, nos passeios, e muitas vezes duas pessoas na mesma trotinete e sem o mínimo de respeito por quem circula no espaço público”, lembrando igualmente o “problema de estacionamento indevido” destes veículos no espaço público e a forma como condicionam a circulação de pessoas, “afetando particularmente os mais idosos, com mobilidade reduzida, cidadãos cegos, crianças e famílias com carrinhos de bebé por exemplo”.
“Nós recolhemos mais de 1.000 trotinetes por mês devido ao mau estacionamento. O acordo que temos com os operadores era suposto evitar que isto aconteça. Mas o que estamos a ver é que todos os anos registamos mais trotinetes indevidamente estacionadas, abandonadas nos mais diversos locais”, precisou.

