Ampliação do i3S custará 1,5ME e deverá demorar oito meses
CEMPRE-N combina genómica, bioinformática e inteligência artificial para acelerar o diagnóstico, personalizar terapêuticas e reduzir desigualdades no acesso à saúde.
A ampliação do i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, no Porto, que servirá o Centro de Medicina de Precisão do Norte (CEMPRE-N), está orçada em 1,5 milhões de euros e deverá demorar oito meses, foi hoje revelado.
O concurso público para a empreitada de ampliação e adaptação das instalações do i3S destinadas ao CEMPRE-N foi hoje publicado em Diário da República, tendo como valor base 1.575.001,11 euros e um prazo de execução de 245 dias.
À Lusa, o diretor do i3S, Claudio Sunkel, avançou que em causa estão espaços que “vão acolher uma parte significativa e muito importante de um novo ‘datacenter’, que vai ser o centro nevrálgico de aquisição de informação genética para uma base de dados”.
“E mesmo sem estar concluído, nós já estávamos a funcionar”, referiu.
Acreditando que a obra venha a ser adjudicada entre dezembro e janeiro próximos, Claudio Sunkel prevê que fique pronta durante o próximo ano.
O projeto é financiado pelo programa Norte 2030, através da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR-N).
Claudio Sunkel explicou que o CEMPRE-N “é o embrião que está a crescer e que já permitiu ganhar outros grandes projetos” como uma candidatura a fundos europeus já aceite que terá como parceiro o Laboratório Europeu de Biologia Molecular.
“Esse já é um projeto de 36 milhões de euros, com uma comparticipação da Comissão Europeia de 15 milhões, uma comparticipação nacional de 15 milhões e depois conseguimos mais seis [milhões] de financiamento privado. Uma coisa vai-se apoiar na outra. Com o apoio deles vamos interligar a nossa base de dados com projetos internacionais. Portanto, vai colocar Portugal no mapa internacional do esforço de conhecer melhor o genoma humano”, acrescentou.
Já em informação remetida à agência Lusa, o i3S descreve o CEMPRE-N como “uma infraestrutura estratégica para modernizar e expandir a capacidade de diagnóstico genómico na região Norte” que assenta nas três plataformas de diagnóstico da esfera deste instituto que cobrem doenças infecciosas, cancro e doenças genéticas raras.
O CEMPRE-N combina genómica, bioinformática e inteligência artificial para acelerar o diagnóstico, personalizar terapêuticas e reduzir desigualdades no acesso à saúde.
O objetivo é que, em articulação com uma rede de oito hospitais e Unidades Locais de Saúde do Norte, o CEMPRE-N disponibilize testes genéticos de ponta com interpretação clínica, apoiando a decisão terapêutica, a prevenção e o aconselhamento genético.
Quanto à empreitada agora em concurso, o projeto prevê uma ampliação “significativa” das áreas dedicadas à genómica e à sequenciação.
Segundo o i3S, será também criada uma área de tecnologias de informação com capacidade para processar os dados gerados e acolher as equipas de análise.
Neste sentido, o i3S está a adquirir equipamento de ponta, tanto para sequenciação do genoma como para computação de alto desempenho.
A medicina de precisão consiste em adaptar o diagnóstico, a prevenção e o tratamento às características genéticas de cada pessoa.
Sobre estes objetivos, Claudio Sunkel indicou que “a ideia é crescer e poder dar mais capacidade de diagnóstico a todos os hospitais do Norte de Portugal”, porque “aumentar a capacidade significa ser mais rápido a entregar resultados”.
“Na área do cancro é particularmente fundamental porque o tempo é mais escasso, mais curto”, sublinhou.
