Antigo diretor dos serviços secretos israelitas processa Netanyahu

    Ronen Bar diz que alertou sobre o ataque de 07 de outubro de 2023 a Israel.

    O ex-diretor do Shin Bet (serviços secretos internos de Israel), Ronen Bar, interpôs uma ação judicial por difamação contra o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, noticiou hoje a imprensa israelita.

    Segundo alega na ação interposta na terça-feira, Bar apresentou a Netanyahu dezenas de alertas entre novembro de 2022 e os dias que antecederam o ataque de 07 de outubro de 2023 a Israel, liderado pelo movimento islamita palestiniano Hamas, com a participação de outras milícias de Gaza, que causou cerca de 1.200 mortos e 251 reféns.

    Bar processou Netanyahu depois de este o acusar de ter cometido crimes na forma como atuou antes do ataque de 07 de outubro, que desencadeou, horas depois, a guerra de Israel na Faixa de Gaza.

    Segundo o diário israelita Ynet, a documentação fornecida pelo antigo chefe dos serviços secretos internos visa demonstrar que o Governo recebeu dezenas de advertências sobre uma possível escalada da ameaça do Hamas antes do ataque.

    Bar exigiu também, segundo o jornal, que os documentos relacionados com os factos sejam tornados públicos, com o objetivo de esclarecer que informação chegou às autoridades e como estas reagiram antes da ofensiva.

    “Na ausência de uma comissão de inquérito estatal, a verdade virá ao de cima nos tribunais”, afirmou o antigo responsável do Shin Bet, citado pelo Ynet.

    Nos últimos meses, vários meios de comunicação social de Israel acusaram Netanyahu de ter sido alertado para o ataque antes da sua ocorrência, tanto pelo Governo dos Emirados Árabes Unidos como pelos serviços secretos egípcios, alegações que o primeiro-ministro israelita nega e classifica como “calúnias de sangue”.

    Embora órgãos de segurança como o Exército e o Shin Bet tenham realizado investigações internas sobre a falha de segurança que levou ao massacre, o Governo de Netanyahu tem repetidamente bloqueado a criação de uma comissão estatal para investigação do ataque.