ASD diz que é preciso pensar na IA na defesa de forma ética

    Micael Johansson esteve em Cascais a propósito da ASD Convention 2026.

    O presidente da Associação Europeia de Indústrias Aeroespaciais e de Defesa (ASD) considera, em entrevista à Lusa, que é preciso pensar na inteligência artificial (IA) na defesa de uma forma ética, o que ainda não foi feito.

    Micael Johansson esteve em Cascais na terça-feira, a propósito da ASD Convention 2026, num encontro que reuniu os principais 'players' europeus do setor da Defesa, Segurança e Aeroespacial.

    Questionado sobre como a Europa pode adicionar a IA nos seus sistemas seguindo as regras de segurança e de ética, atendendo que a tecnologia é já uma realidade no setor, Micael Johansson considera que é preciso pensar no tema.

    "Não temos realmente um regulamento para a IA focado na defesa" na Europa, recorda o responsável.

    O regulamento de IA europeu (AI Act) não é aplicável ao setor da defesa, contudo o caso do conflito da norte-americana de inteligência artifical Anthropic com o Pentágono abriu as portas para debate sobre futuro da guerra com este tipo de tecnologia.

    "Penso que há necessidade de pensar nisto de uma forma ética", admite o presidente da ASD - Aerospace and Defence Industries Association of Europe. Agora, o problema é se os adversários pensarão da mesma forma, diz.

    "Deveria haver uma perspetiva global sobre como se permite, de facto, que sistemas completamente autónomos façam o que quiserem envolvendo a IA", defende o responsável, que também é presidente executivo (CEO) da Saab.

    Dito isto, "como Saab agora, temos a política de dizer que tem de haver uma pessoa no processo [person in the loop] antes de se começarem a fazer coisas agressivas", prossegue.

    Isso "não significa propriamente que alguém carregue no botão das armas o tempo todo, mas às vezes está-se num conflito, envia-se um enxame de drones numa missão, mas continua a haver uma decisão de uma pessoa a fazer isso", ilustra.

    Nesse sentido, "é preciso haver uma perspetiva ética sobre isto, mas ainda não o fizemos".

    Esta é uma área "muito difícil, porque se o oponente não se importar com estas questões, coisas más podem acontecer", admite.

    Por isso, "receio que veremos coisas a acontecer antes de começarmos a perceber que temos de resolver isto" e "acho que sim, mas é uma área importante de colocar sob controlo", conclui Micael Johansson.