Associação de Promotores de Espetáculos, Festivais e Eventos: "novo confinamento é o agravar de uma tragédia"

    O encerramento de equipamentos culturais devido ao novo confinamento é o agravar de uma tragédia, disse à agência Lusa o promotor Álvaro Covões, da Associação de Promotores de Espetáculos, Festivais e Eventos.


    O encerramento de equipamentos culturais devido ao novo confinamento é o agravar de uma tragédia, disse ontem à agência Lusa o promotor Álvaro Covões, da Associação de Promotores de Espetáculos, Festivais e Eventos (APEFE).

    "Trabalhamos num setor que não funciona em 'take-away', teletrabalho ou 'delivery'", disse Álvaro Covões, sublinhando que o setor da cultura necessita de "uma bazuca" de apoios.

    "Estamos a reunir números, porque as vendas de faturação de dezembro fecharam há dois dias, mas tudo indica que a nossa quebra em 2020 foi de 80%", frisou.

    "Apesar de se pensar que o setor cultural podia trabalhar, a verdade é que, desde junho, os equipamentos culturais estão limitados a lotações de 50%", acrescentou.

    "Estamos a viver uma coisa sem precedentes no nosso setor", concluiu Álvaro Covões.

    Os espetáculos começaram a ser adiados ou cancelados em março, ainda antes de decretado o encerramento das salas.

    Segundo números da APEFE, só entre meados de março e final de abril, foram cancelados, suspensos ou adiados cerca de 27 mil espetáculos.

    No dia 01 de junho, as salas foram autorizadas a reabrir, com lugares marcados e o cumprimento de regras de distanciamento físico, embora no final de maio ficasse proibida a realização de “festivais e espetáculos de natureza análoga”, até ao passado dia 31 de dezembro.

    O verão decorreu sem os festivais de música, com a Associação Portuguesa de Festivais de Música (Aporfest) a estimar uma perda de cerca de 1,6 mil milhões de euros, contra os dois mil milhões originados em 2019.

    A APEFE, por seu lado, ainda antes de apurados os números do quarto trimestre de 2020, atestava que o mercado dos espetáculos registara uma quebra de 87%, entre janeiro e outubro, face a 2019, admitindo que a quebra poderia chegar aos 90%, no final do ano.

    Os números concordavam com os de duas plataformas de venda de bilhetes para espetáculos, em Portugal, a Ticket Line e a Blue Ticket, que disseram à Lusa terem registado quebras superiores a 80%, nas suas operações, e uma perda de faturação entre 78% e 90%, nos meses marcados pela pandemia.

    As associações e promotoras de espetáculos tinham prevista, para hoje, uma reunião com o Governo, adiada para nova data, com o objetivo de apresentarem propostas que venham a tornar viável a realização de festivais e eventos de música, em contexto de covid-19.

    Esta quarta-feira, o primeiro-ministro anunciou novo confinamento, e remeteu para quinta-feira o anúncio de medidas de apoio ao setor.

    Em conferência de imprensa, em Lisboa, António Costa disse que, na quinta-feira, a ministra da Cultura e o ministro da Economia apresentarão "um conjunto de medidas de apoio aos setores que são particularmente atingidos".

    De acordo com decisão do Governo, os equipamentos culturais terão de encerrar a partir das 00:00 de sexta-feira, em Portugal Continental, tal como aconteceu em março do ano passado.

    Em 2020, a paralisação da Cultura começou na segunda semana de março, depressa se estendeu a todas as áreas e, no final de 2020, entre "plano de desconfinamento" e estados de emergência, o setor somava perdas superiores a 70% em relação a 2019.

    Portugal vai "regressar ao dever de recolhimento domiciliário", a partir das 00:00 de sexta-feira, tal como em março e em abril, anunciou o primeiro-ministro, António Costa, na conferência de imprensa, alertando para este ser, simultaneamente, o momento "mais perigoso, mas também um momento de maior esperança".

    Na semana passada, várias estruturas da Cultura anunciaram a marcação de um protesto nacional para dia 30, de alerta para o que consideram a falta de respostas do Governo perante "as consequências devastadoras da pandemia".