Brexit: Tusk pede aos 27 para aceitarem pedido de adiamento

    A indicação foi dada pelo presidente do Conselho Europeu, depois do Parlamento britânico ter rejeitado o calendário proposto pelo Governo de Boris Johnson.

    O presidente do Conselho Europeu vai recomendar aos líderes de 27 Estados-membros da União Europeia para aceitarem pedido de adiamento da data de saída do Reino Unido para 31 de janeiro de 2020.

    A indicação foi dada por Donald Tusk através do Twitter, depois do Parlamento britânico ter rejeitado o calendário proposto pelo Governo do Reino Unido que previa uma aprovação da lei de aplicação do acordo até quinta-feira.

     

     

     

    Os deputados britânicos rejeitaram na terça-feira, com 322 votos contra e 308 votos a favor, o calendário proposto pelo Governo que previa uma aprovação da lei de aplicação do acordo até quinta-feira, um prazo classificado como demasiado curto para debater um texto de 110 páginas.

    Boris Johnson anunciou que o Governo vai suspender o processo legislativo para o ‘Brexit' e acelerar os preparativos para uma saída sem acordo na sequência de uma derrota no parlamento.

    "Devo expressar a minha desilusão pelo facto de a Câmara ter votado novamente a favor de um adiamento, em vez de um calendário que garantia que o Reino Unido estaria em posição de sair da UE em 31 de outubro com um acordo", lamentou.

    Johnson referiu que o país enfrenta "mais incerteza" e que agora depende da UE responder ao pedido feito no sábado para um adiamento por três meses, até 31 de janeiro.

    "Vou falar com os Estados-membros da UE sobre as suas intenções e até que eles cheguem a uma decisão vamos interromper esta legislação", anunciou.

    A Câmara dos Comuns aprovou esta noite a proposta de lei [Withdrawal Agreement Bill] na generalidade [second reading] por 329 votos a favor e 299 votos contra, uma margem de 30 votos.

    Porém, logo a seguir, chumbou a moção com um calendário para acelerar o processo e concluir a aprovação em três dias, até quinta-feira, por 322 votos contra e a 308 favor, uma margem de 14 votos.

    O líder do partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, saudou o facto de os deputados terem recusado serem "empurrados para debater uma legislação extremamente importante em apenas dois dias, com quase nenhum aviso prévio e sem uma análise do impacto económico.

    "Eu vou fazer uma oferta: trabalhe connosco para concordarmos com um calendário razoável. E suspeito que esta Câmara votará para debater, escrutinar e, espero, emendar os detalhes desta proposta. Esse seria o caminho sensato a seguir", sugeriu.

    O diploma de 110 páginas foi publicado na segunda-feira à noite, começou a ser debatido hoje pelas 14h00 horas e tinha previstas mais três horas esta noite, 12 horas de debate na quarta-feira e oito horas na quinta-feira, culminando numa votação na especialidade.

    A proposta de lei dá efeito legal ao acordo de saída negociado por Boris Johnson com Bruxelas e finalizado na semana passada e define questões como o período de transição até ao final de 2020 para permitir às empresas adaptarem-se às novas condições e também para as duas partes negociarem um novo acordo de comércio livre.

    Insere também o protocolo sobre a Irlanda do Norte na legislação nacional e estabelece o veículo para o pagamento da compensação financeira à UE, calculada em 33 mil milhões de libras (38 mil milhões de euros).

    O documento simplifica as formalidades para a ratificação do acordo, eliminando os 21 dias úteis normalmente necessários para que um tratado internacional seja apresentado antes da ratificação e revela, por exemplo, que o período de transição, em que o Reino Unido se mantém sob as regras europeias apesar de estar fora da UE pode ser prorrogado apenas uma vez por até dois anos.