Cão de água apoia criança autista em Angola
Esta é primeira experiência do género conhecida em África, de acordo com a Associação Portuguesa de Cães de Assistência.
Aos quatro meses de vida, Lia, um cão de água português, deixou Lisboa para apoiar, em Luanda, em Angola, um rapaz autista de quatro anos.
O cachorro chegou esta semana à capital angolana, pela mão de Rui Elvas, presidente daquela associação, ele próprio instrutor de Lia.
A cadela já se adaptou à nova família em Luanda, depois de uma longa viagem desde Portugal.
"Está a correr muito bem, a criança está já a interagir com o cão. Estamos muito satisfeitos com a evolução da Lia", começa por adiantar Rui Elvas, em conversa com a Lusa, em Luanda.
Especificamente para o autismo, a Associação Portuguesa de Cães de Assistência (APCA) já conta com dois cães certificados em Portugal e tem mais 12 em treino. No estrangeiro já entregou três, distribuídos pela Dinamarca, Alemanha e Luxemburgo, aos quais se junta a Lia, em Angola, ainda em treino, até à certificação final, dentro de um ano e meio.
"O que nós procuramos neste caso é um cão tranquilo, com uma boa ligação familiar, com uma boa interação com crianças. No fundo é aquilo que se pretende que o cão que vai fazer esta função tenha como caraterísticas: acima de tudo uma grande tranquilidade e uma grande interação com as crianças", diz Rui Elvas.
A escolha da raça, um cão de água português, não é por acaso, e explica-se, desde logo, pela esperança média de vida, que chega aos 15 anos, trabalhando "com a capacidade total" durante esse período. Além disso, sublinha o instrutor, o tipo de pelo é também uma vantagem, no contacto com as crianças.
"Estes cães têm cabelo, não têm propriamente pelo, as crianças não sentem aquele sintoma normal de alergia. Mas são cães muito mais calmos e amadurecem muito mais depressa", aponta.
O autismo é um distúrbio neurológico caraterizado por comprometimento da interação social, comunicação verbal e não-verbal e comportamento restrito e repetitivo. Caraterísticas que levam muitos pais, como revelou anteriormente a Associação Angolana de Apoio a Pessoa Autista e Portadora de Transtornos Globais de Desenvolvimento (APEGADA), a manter as crianças amarradas, em casa, com o receio que se percam.
Este projeto da APCA é pioneiro em África, mas os custos, de 5.000 euros por animal, acrescido do transporte, superior a 2.000 euros, dificultam o alargamento deste tipo de terapia.
A associação estuda, com parceiros locais, deslocalizar para Angola uma parte da atividade de criação e treino destes animais, baixando os custos e facilitando a disponibilização deste tipo de apoio.
A ideia é ter um "projeto sustentável", com treinadores a trabalhar em Angola.
