Houve menos brasileiros a votar em Lisboa para as eleições no Brasil
Os números ainda não são definitivos, mas mostram uma participação menor do que em eleições anteriores.
O cônsul-geral do Brasil em Lisboa, Alessandro Candeas, estimou hoje em 30% a participação da comunidade brasileira nas eleições gerais da nação sul-americana na capital portuguesa, que têm como especial foco a eleição do próximo Presidente.
O cônsul-geral do Brasil em Lisboa falava aos jornalistas em direto da Cidade Universitária, em frente ao edifício da Reitoria, para descrever aquilo que considerou um processo calmo, sem incidentes, mas cuja participação estima que ficou em 30 ou 31%.
No entanto, o diplomata ressalvou que os números "não estão fechados" e que as urnas serão agora transferidas para os centros de apuração e transmissão de dados, cumprindo o normal trâmite processual.
Alessandro Candeas lamentou que o número de eleitores que se deslocaram às urnas em Lisboa tenha diminuído face ao escrutínio anterior, em 2022.
"Isso [a atual estimativa de participação eleitoral] é menor do que houve em 2022, é menor do que a tradição no exterior, onde há um comparecimento de quase 50%, então há fatores, talvez, que expliquem isso, é feriado amanhã (...)", referiu o cônsul em Lisboa.
Questionado pelos jornalistas sobre se houve algum incidente, respondeu que, felizmente, apenas dois casos que classificou de "anedóticos", um o preço das bebidas num quiosque das imediações e o segundo sobre o reportar de três polícias que tinham entrado na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, que na verdade se dirigiam apenas à casa de banho.
"Graças a Deus, aconteceu da forma mais tranquila e harmónica e democrática possível, então a resposta é não, não houve nenhum incidente, 100% das urnas eletrónicas funcionaram, não houve necessidade de substituição", considerou.
A cônsul-geral do Brasil em Faro, Kátia Gilaberte, explicou, em direto na CNN, que o processo de votação decorreu com tranquilidade, sem incidentes, mas que ainda não consegue avançar com estimativas de participação.
Mais de 158 milhões de brasileiros são hoje chamados às urnas para as eleições gerais do país, em que se procura também eleger o próximo Presidente, num escrutínio altamente polarizado entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.
As eleições, cujo voto é obrigatório no Brasil, para cidadãos alfabetizados entre os 18 e os 70 anos, pretendem eleger governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais, além do próximo chefe de Estado.
O Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, procura a reeleição aos 80 anos e o seu quarto mandato, enquanto o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-Presidente Jair Bolsonaro, tenta devolver o poder ao campo bolsonarista, quatro anos depois da derrota do pai contra o mesmo adversário que tenta agora derrotar, apesar de as sondagens apontarem para um empate técnico.
Caso nenhum candidato obtenha hoje os necessários mais de 50% dos votos válidos, está prevista uma segunda volta para 25 de outubro, segundo o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em Portugal estão recenseados mais de 134.000 brasileiros, mas apenas vão ajudar a eleger o Presidente e o vice-Presidente da República, sendo que as mesas de voto encerraram às 17:00.
Em Lisboa, devido ao elevado número de eleitores, a votação decorreu em três locais - Reitoria da Universidade de Lisboa, Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. No Porto, as mesas funcionaram no Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP). Em Faro, votaram na sede do consulado.
Na capital portuguesa estavam inscritos cerca de 79.000 eleitores, no Porto mais de 47.000 e em Faro perto de 9.000.
Portugal é o segundo maior colégio eleitoral no estrangeiro, atrás dos Estados Unidos da América.
