DE-CIX considera que IA está a remodelar a infraestrutura digital
Theresa Bobis, diz que Portugal "está também a avançar decisivamente neste sentido", e salienta o país não é um mercado periférico.
A diretora regional da DE-CIX, Theresa Bobis, admite, em entrevista à Lusa, que a inteligência artificial (IA) está a remodelar os requisitos da infraestrutura digital e isso tem impacto direto nos centros de interligação.
"A IA está a remodelar fundamentalmente os requisitos da infraestrutura digital, e isso tem um impacto direto e profundo nos centros de interligação", salienta a responsável, explicando que "as cargas de trabalho" de inteligência artificial "são extremamente intensivas em dados e exigem uma conectividade rápida, fiável e segura entre fontes de dados, ambientes de formação, plataformas Cloud e utilizadores finais".
Nesse sentido, "como resultado, a interligação já não se trata apenas de movimentar tráfego – trata-se de permitir a troca de dados em tempo real em grande escala".
Para a DE-CIX, "a interligação está a tornar-se uma camada arquitetónica crítica da infraestrutura de IA". Isto porque "sem conectividade de baixa latência e alto desempenho, mesmo os recursos de computação mais avançados não conseguem operar de forma eficiente".
Por isso é "que estamos a assistir a uma forte convergência entre a infraestrutura de IA e os hubs de interligação", sendo que "locais como Lisboa e Sines estão a tornar-se mais relevantes porque combinam três elementos essenciais: conectividade submarina, capacidade escalável de 'data center' e acesso direto a ecossistemas globais de 'cloud' e conteúdos", prossegue.
De uma forma simples: "a IA aumenta o volume de dados que necessitam de ser transferidos, aumenta a sensibilidade à latência e aumenta a necessidade de conectividade direta e privada entre redes e é aqui que as plataformas de interligação como a DE-CIX desempenham um papel decisivo, ao permitir a interligação direta entre todos os participantes da cadeia de valor" da inteligência artificial.
Questionada sobre o compromisso da União Europeia com a soberania digital e a 'cloud soberana', refere que isso "reflete uma necessidade mais ampla de controlo, resiliência e segurança em toda a infraestrutura digital da Europa".
Portugal "está também a avançar decisivamente neste sentido", salienta Theresa Bobis, que aponta que para a DE-CIX o país não é um mercado periférico.
"É uma localização claramente estratégica dentro do nosso ecossistema global de interligação. Vemos Portugal como uma ponte atlântica natural, ligando a Europa a África e às Américas", sublinha a responsável.
Destaca também a "crescente relevância de Portugal para a África Ocidental".
"Para nós, Portugal é simultaneamente um mercado de interligação regional e uma porta de entrada global estratégica, com um papel particularmente importante na promoção de uma conectividade mais eficiente e direta entre a Europa e regiões de rápido crescimento, como a África Ocidental", conclui.
