"É a eleição mais renhida desde a redemocratização." Lula e Flávio Bolsonaro vão a votos no domingo

    Os dois candidatos fazem esta noite o último debate antes da segunda volta das eleições presidenciais.

    Os brasileiros preparam-se para eleger o próximo Presidente da República, numa eleição que promete ser "renhida" entre Flávio Bolsonaro e Lula da Silva, apesar do filho do antigo Presidente seguir com algum favoritismo.

    "Pelo facto de Flávio ter vencido a primeira volta, pelo facto de até hoje nenhum candidato ter conseguido, desde a redemocratização do Brasil, virar o jogo, digamos assim, ou seja, todo mundo que ganha na primeira volta costuma ganhar também na segunda volta, por esses dois factos, Flávio é apontado como com certo favoritismo. Mas é também a eleição mais acirrada entre todas as eleições desde a redemocratização. Como as pesquisas apontam empate técnico, dá para dizer que tudo pode acontecer no domingo", explica João Gabriel Lima, jornalista e escritor brasileiro, que reside em Portugal há cerca de seis anos.

    Flávio venceu a primeira volta no passado dia 4 de outubro e é visto no Brasil como um sinal de mudança, sobretudo para a classe média: "o eleitor de Flávio Bolsonaro é, em sua maioria, o que a gente chama no Brasil de classe C. (...) É um eleitor que saiu da pobreza, saiu da pobreza extrema, mas ele não conseguiu chegar onde ele gostaria de chegar. A vida dele melhorou, o filho dele já estuda numa universidade, mas ele não conseguiu ainda ter uma segurança financeira, e também mudar para um bairro menos violento, porque o brasileiro de classe média baixa ele sofre muito com a violência. E o Flávio acena para esse eleitor que está insatisfeito e que quer mudança, na verdade."

    Último debate ainda pode influenciar o sentido de voto

    Lula da Silva e Flávio Bolsonaro vão estar frente a frente mais logo, pela 01h20 da madrugada, no último debate televisivo antes das eleições de domingo.

    "O número de indecisos, de eleitores que não sabiam ainda em quem votar, na sondagem da semana passada eram 7%. Na sondagem dessa semana, 14%. Então o número de eleitores indecisos dobrou. (...) Entre os indecisos, principalmente mulheres. O Brasil tem mais mulheres do que homens. (...) Então, por isso acho que o debate e os cortes do debate, dos debates nas redes sociais, eles podem ser sim muito importantes para que esse eleitor indeciso chegue a uma conclusão e decida em quem irá votar no próximo domingo", diz João Gabriel Lima.

    Quanto às propostas, "há uma expectativa", porque "esse segundo debate, ele vai ter regras diferentes, no sentido de obrigar os candidatos a apresentarem propostas. Isso pode ser esclarecedor e pode ser decisivo. Lembrando que a maior parte dos brasileiros define seu voto não através da televisão, mas através das redes sociais. Então os candidatos em geral usam os debates para fazer cortes para colocar nas suas redes sociais com os melhores momentos. E esses cortes influenciam mais a eleição do que os próprios debates em si".

    O jornalista e escritor brasileiro diz que o debate do passado domingo não esclareceu os eleitores: "foi um debate basicamente de ofensas pessoais de parte a parte, muito pouca discussão sobre projetos de governo."

    A segunda volta das eleições presidenciais do Brasil está marcada para domingo, dia 25 de outubro. Em Portugal, estão registados mais de 134 mil eleitores, podem votar em Lisboa, Porto e Faro.