Eclipse e a loucura dos óculos, também, no ano de 1999

    Em agosto de 1999 assistiu-se ao último grande eclipse do milénio.

    A contagem decrescente para ver o eclipse total do sol já começou.

    Se tentou arranjar os óculos grátis e já foi tarde, não entre em pânico: ainda encontra exemplares à venda em algumas lojas e farmácias. 

    Mas e se tiver guardado os óculos do último eclipse solar de 1999? Será seguro reutilizá-los agora? A resposta curta é: não corra riscos. 

    Óculos velhos: o veredicto da NASA 

    Pode parecer que estes óculos de cartão duram uma vida inteira por não terem um "prazo de validade" carimbado, mas a NASA avisa que a realidade é outra. 

    “Alguns óculos/visores trazem avisos impressos e informam que não deve olhar através deles por mais de 3 minutos de cada vez e que deve descartá-los se tiverem mais de 3 anos”, explica a NASA citada pelo website Solar Eclipses.

    A "norma ISO 12312-2" é de extrema importância para garantir que os óculos estão em condições para serem usados. Por outro lado, há que ter em conta outros parâmetros na hora de perceber se os óculos estão em bom estado para observar o eclipse.

    Mesmo que tenham estado guardados, o suor de utilizações antigas, os micro-arranhões, os furos invisíveis ou as dobras no bolso estragam o material.

    O selo que importa: os óculos seguros têm de cumprir a norma ISO 12312-2. 

    Segundo a NASA, os óculos para eclipses certificados pela norma internacional ISO 12312-2 não têm prazo de validade se os filtros de polímero negro ou alumínio-mylar não estiverem riscados, furados ou rasgados. Avisos impressos antigos que recomendam deitar fora os óculos após 3 anos são considerados desatualizados pela norma adotada em 2015.

    Ainda assim, o ideal é comprar sempre óculos novos que cumpram os padrões de segurança atuais. O lema é: óculos novos, olhos protegidos. 

    Cuidado com as imitações baratas na Internet 

    Se vai comprar online, tenha o triplo do cuidado. Especialistas alertam que o mercado está inundado de óculos falsificados. 

    Usar óculos sem certificação real é o equivalente a olhar para o Sol sem nada. Astrónomos e cientistas da NASA deixam o aviso: os danos causados por filtros falsos são permanentes. 

    O que acontece se usar óculos falsos? 

    A American Astronomical Society explica o perigo real das imitações de forma muito simples: elas não bloqueiam absolutamente nada. 

    À revista People, a American Astronomical Society esclarece que o problema destes óculos falsificados prende-se com o facto de "não bloquearem a radiação UV, visível e infravermelha, expondo o utilizador a lesões oculares graves e cegueira permanente", que pode afetar atividades como ler ou conduzir. 

    A febre de 1999 

    O último eclipse solar total do segundo milénio ocorreu no dia 11 de agosto de 1999. Este evento astronómico tornou-se um dos mais mediáticos e assistidos da história, atravessando uma estreita faixa terrestre desde o Oceano Atlântico até à Índia, cobrindo grande parte da Europa.

    Visibilidade em Portugal 

    O território português encontrava-se fora da faixa de totalidade, pelo que o fenómeno foi visível apenas como um eclipse parcial.

    Em Lisboa a Lua cobriu cerca de 68% do Sol, mas no norte do País a ocultação foi superior.

    A aldeia de Argozelo, em Bragança, foi o local em Portugal onde se conseguiu a maior percentagem de escuridão, atraindo vários cientistas e curiosos.

    Este dia teve um grande impacto social. O país parou para assistir, houve uma corrida às lojas e às distribuições da agência Ciência Viva para adquirir os famosos óculos de proteção de cartão com filtros especiais. 

    Efeitos na Natureza 

    Nas zonas de eclipse total, a temperatura desceu cerca de 3 °C de forma repentina em pleno verão.

    A escuridão diurna fez com que as luzes públicas automáticas se acendessem e os animais mudassem o seu comportamento, silenciando-se por pensarem que a noite tinha chegado.