Entroncamento avança com estudos para Polícia Municipal e mantém videovigilância pendente

    Previsto para 14 câmaras, o projeto foi alargado pelo atual executivo para 55 equipamentos, destinados a abranger o centro histórico, entradas e saídas da cidade

    A Câmara do Entroncamento já contratou os estudos económicos necessários à criação da Polícia Municipal, mas o sistema de videovigilância, com 55 câmaras previstas, continua por instalar, indicou o presidente da autarquia.

    Nelson Cunha (Chega) falava na última reunião pública do executivo, em resposta às críticas da oposição sobre a demora na concretização das medidas de segurança anunciadas no início do mandato.

    O autarca deste concelho do distrito de Santarém explicou ainda que a adaptação das antigas instalações da PSP para a futura Polícia Municipal e outros serviços municipais depende do reaproveitamento de materiais provenientes da demolição de um estabelecimento escolar.

    A criação da Polícia Municipal foi questionada pelo vereador Ricardo Antunes (PS), que recordou que, em abril, o presidente tinha apontado para um processo com uma duração aproximada de dois anos e anunciado que as obras de adaptação do edifício avançariam rapidamente.

    "A Polícia Municipal não se cria sozinha", afirmou o vereador, alertando para a necessidade de acelerar os procedimentos, que incluem aprovação governamental, recrutamento e formação dos agentes, esta última com uma duração estimada de nove meses.

    Ricardo Antunes lembrou que a criação da Polícia Municipal constitui um compromisso assumido pelas diferentes forças políticas representadas no executivo e considerou que, decorridos vários meses desde os primeiros anúncios, continuam por concretizar etapas fundamentais do processo.

    Também o vereador Rui Madeira (coligação Viva o Entroncamento) criticou a demora na implementação das medidas de segurança, nomeadamente a videovigilância e a regulamentação da atividade dos guardas-noturnos, defendendo que o município deve passar dos compromissos à concretização.

    Em resposta, Nelson Cunha esclareceu que o processo da videovigilância está atualmente na esfera da estrutura distrital da PSP, aguardando os procedimentos necessários para avançar, e garantiu que a verba destinada ao investimento se encontra cabimentada.

    Quanto aos guardas-noturnos, o presidente indicou que o regulamento municipal continua em revisão interna, sem adiantar uma data para a conclusão do processo.

    A Câmara do Entroncamento e a PSP assinaram, em 24 de março, um protocolo de cooperação para a instalação e manutenção de um sistema de videovigilância com 55 câmaras, num investimento estimado de 200 mil euros.

    Na altura, Nelson Cunha disse à Lusa que o sistema poderia estar concluído em cerca de cinco meses, após os pareceres necessários, o lançamento do concurso público e a adjudicação dos equipamentos.

    Inicialmente previsto para 14 câmaras, o projeto foi alargado pelo atual executivo para 55 equipamentos, destinados a abranger o centro histórico, entradas e saídas da cidade e outras zonas identificadas como sensíveis em articulação com a PSP.

    O sistema, concebido como complemento ao policiamento de proximidade, continua por implementar, apesar de já ter ultrapassado o horizonte temporal inicialmente apontado pelo autarca.

    A segurança foi uma das prioridades apresentadas por Nelson Cunha quando assumiu a presidência da Câmara, em outubro de 2025, defendendo a criação da Polícia Municipal, a instalação de videovigilância e o reforço da presença policial na cidade.

    Em dezembro de 2025, o Entroncamento inaugurou uma nova esquadra da PSP, num investimento de cerca de 2 milhões de euros, depois de mais de duas décadas de reivindicações e adiamentos.

    Na ocasião, o presidente da Câmara defendeu um reforço dos efetivos policiais, considerando insuficientes os cerca de 30 agentes existentes para responder às necessidades do concelho, particularmente nas áreas do trânsito e da investigação criminal.