Estudante de 15 anos perde a mão após explosão de granada durante protesto em França

    Adolescente ficou gravemente ferido durante um confronto junto a uma escola em Lens.

    Um estudante francês de 15 anos perdeu uma das mãos esta segunda-feira, depois da explosão de uma granada durante confrontos entre manifestantes e forças policiais junto a uma escola em Lens, no norte de França.

    O adolescente foi transportado de urgência para um hospital em Lille e, segundo as autoridades, não corre perigo de vida. O incidente aconteceu junto ao liceu profissional Auguste-Béhal, onde decorria uma manifestação de estudantes.

    O prefeito do departamento de Pas-de-Calais, François-Xavier Lauch, classificou o caso como um “incidente muito grave” e apelou à calma. O procurador de Béthune, Étienne Thieffry, confirmou a abertura de uma investigação para determinar exatamente como ocorreu a explosão.

    As circunstâncias permanecem, contudo, por esclarecer. Uma fonte policial citada pela AFP afirma que o jovem terá apanhado uma granada de dispersão lançada pelos CRS, a polícia de choque francesa, que acabou por explodir na mão. Uma estudante que testemunhou o incidente apresenta uma versão diferente e garante que o adolescente não pegou na granada, tendo o engenho atingido a mão do jovem antes de explodir.

    O procurador de Béthune afirmou que, nesta fase, não é possível determinar se o estudante apanhou a granada ou se o engenho foi lançado na sua direção. A investigação foi entregue à Inspeção-Geral da Polícia Nacional, a IGPN, que deverá esclarecer a sequência dos acontecimentos.

    Centenas de escolas afetadas pelos protestos

    O incidente ocorre numa altura de forte mobilização dos estudantes franceses. As manifestações, que se prolongam há vários dias, estão relacionadas com reivindicações por mais professores, melhores condições nas escolas e reforço dos recursos destinados à Educação.

    Segundo os números divulgados esta segunda-feira pelo ministro da Educação, Édouard Geffray, 589 estabelecimentos de ensino foram perturbados em França. O movimento tem provocado bloqueios, confrontos e encerramentos parciais ou totais de escolas.

    O ministro afirmou que os estudantes estão também “horrorizados” com a violência protagonizada por pessoas que, segundo o Governo, se juntaram aos protestos sem fazer parte da comunidade escolar.

    IGPN investiga outros casos de estudantes feridos

    O caso de Lens junta-se a outros episódios graves ocorridos durante a mobilização estudantil.

    Em Tours, um estudante de 16 anos ficou gravemente ferido num olho durante um confronto com a polícia. A família apresentou uma queixa por violência alegadamente cometida por uma pessoa em posição de autoridade.

    Em Saint-Ouen-l'Aumône, outro adolescente, de 14 anos, sofreu ferimentos graves no rosto durante uma intervenção policial. Há ainda investigações relacionadas com incidentes envolvendo estudantes em Saint-Denis e Argenteuil.

    Com o agravamento das tensões, a IGPN já abriu várias investigações para apurar as circunstâncias dos ferimentos sofridos por jovens durante os protestos.

    O Governo francês tem defendido a necessidade de garantir a segurança junto dos estabelecimentos de ensino, enquanto organizações estudantis e sindicatos insistem nas reivindicações relacionadas com as condições das escolas.

    A mobilização deverá prosseguir nos próximos dias, com novas manifestações previstas em várias cidades francesas.