Tancos: falhas na segurança e comunicações

    Relatório do Ministério da Defesa sobre o furto do ano passado aponta várias deficiências estruturais.

    O relatório do Ministério da Defesa sobre o furto de Tancos aponta várias deficiências e lacunas ao nível das estruturas nos paióis, nomeadamente na segurança e comunicações. O documento foi entregue no parlamento na terça-feira. 

    Intitulado "Tancos 2017: Factos e documentos", o relatório refere, por exemplo, portas e fechaduras sem os requisitos de segurança exigidos e destaca que nunca foi cumprido o número de efetivos originalmente determinado para a infraestrutura.

    Desde que a origem dos paióis, nos anos 80, até junho de 2017, quando foi furtado material militar, é notória a degradação da rede de segurança periférica e até os para-raios não estão operacionais. 

    Por outro lado, a Casa da Guarda não tem comunicação de rede fixa, nem existem meios de comunicação com os postos de sentinela e as rondas móveis, sendo tudo assegurado por telemóveis de serviço.

    O relatório indica ainda que o polémico roubo, no ano passado, foi praticado sem recurso a violência, até porque os locais de onde foram retirados os materiais não estavam vigiados permanentemente. De resto, remete para a investigação criminal a "resposta cabal" ao "quem, quando, porquê e como" foi perpetrado este furto.

    Contudo, recomenda que se deverá aguardar "serenamente, para resposta cabal, pelo termo das investigações (que, à data da divulgação deste dossier, ainda decorrem), orientadas por quem de direito, o Ministério Público".

    O ministro da Defesa, Azeredo Lopes, sustenta que as sanções inerentes à prova de culpa "depende da avaliação e de um juízo" que é competência dos tribunais" e que "eventuais decisões de caráter disciplinar suplementares decorrentes desse juízo" proveem do "exercício de competências exclusivas" das chefias militares.

    Por isso, Azeredo Lopes acrescenta: "não existe aqui, portanto, e não podia existir, qualquer espaço para a intervenção do Governo", a não ser a garantia do dever de colaboração.