Frank Zappa e Aretha Franklin nos lançamentos de hoje

    Novos discos também de Tindersticks e dos Hold Steady chegam hoje ao mercado discográfico.

    É publicada hoje a banda sonora do documentário sobre Frank Zappa, "Zappa", que na verdade é uma edição robusta de 68 músicas de quatro décadas diferentes, que vale um CD triplo deluxe e um quíntuplo LP deluxe. Há ainda o convencional duplo LP. A BSO conta com interpretações ao vivo de Zappa no mítico clube de Los Angeles, Whisky A Go-Go (em 1968), na sala Fillmore West, em São Francisco (em 1970) e no programa de TV "Saturday Night Live" (em 1978) 


    São hoje reeditados em vinil dois álbuns poderosos do ano de 1972: "Young, Gifted, and Black" (de 1972) de Aretha Franklin, quando a cantora soul vivia o seu apogeu, e "Mardi Gras" dos country-rockers Creedence Clearwater Revival. Sai também hoje a compilação dos hard-rockers Whitesnake, "The Blues Album". 

     

    A mulher que toca uma parafernália de instrumentos Tash Sultana lança hoje o seu segundo álbum, "Terra Firma", depois do arranque em 2018 com "Flow State". 

    Antes dos confinamentos ditados pela pandemia do covid-19, a artista australiana já se recolhia solitariamente, porque não precisava de mais ninguém. Se precisasse de alguém para tocar um trompete aqui ou de uns teclados acolá, só tinha que pedir a si própria para o fazer. Sem o saber, Tash Sultana já vivia numa preparação para a austeridade pandémica, através do seu trabalho 100% solitário.

    Tendo em conta os antecedentes, o trabalho para o segundo álbum "Terra Firma" em época de covid-19 fluiu com naturalidade, embora com alguns sobressaltos, como atrasos. Há até, pela primeira vez, dois membros exteriores no seu estúdio, ou seja, dois convidados, Josh Cashman e Jerome Farah. 

     

    Como um gato com sete vidas, os Tindersticks vão sobrevivendo às várias reformulações e mantendo um olhar singular sobre a música. No 13º longo de estúdio da banda inglesa, "Distractions", o projeto de Stuart Staples continua charmoso e inusitado, a desarmar o ouvinte, como acontece logo na longa viagem sensorial de 'Man Alone (Can't Stop the Fadin')', que abre o disco, e que mostra os Tindersticks bem articulados numa estrutura eletrónica, onde não se ouve a bateria, mas sim a caixa de ritmos. O charme soturno do disco prossegue noutros recantos, como uma transfiguração do clássico de Neil Young, 'A Man Needs a Maid'.

     

    Os Mogwai também já vão com um bom andamento a avolumar a discografia, chegando nesta sexta-feira à marca do 10º álbum, "As the Love Continues". A amplificação das guitarras distorcidas ainda não baixou, por parte desta banda escocesa cada vez mais enamorada pelo drem-pop.

     

    Ao contrário dos Tindersticks ou dos Mogwai, o ponto de partida dos Hold Steady só foi neste século, mas a produtividade já é bem alta. O oitavo álbum da banda nova-iorquina, "Open Door Policy", o vocalista Craig Finn continua o seu falatório cantado, como se fossem crónicas tocadas pela E Street Band. O espírito de intelectual de bar continua vivo nos Hold Steady.  

     

    O álbum de estreia mais falado que sai hoje é provavelmente o do inglês de 26 anos SG Lewis, "times", que está a merecer aplausos da crítica, tanto do Guardian, como do New Musical Express ou do site Pitchfork. Em tempo de confinamento, tudo o que SG Lewis quer dar ao mundo é disco sound e muito groove do funk, com a ajuda do convidado de renome Nile Rodgers (dos Chic).

     

    Saem ainda hoje os discos de Cassandra Jenkins, "An Overview on Phenomenal Nature, de Lael Neale, "Acquainted With Night", de Ex:Re com a 12 Ensemble, "Ex:Re With 12 Ensemble", de Adeline Hotel, "Good Timing", e ainda o disco póstumo da artista eletrónica Pauline Anna Strom, "Angel Tears in Sunlight".