Grupo de jovens lança petição para a criação de uma Biblioteca dos Direitos da Criança

    Atualmente, a petição conta com mais de 300 assinaturas.

    Foi lançada uma petição a 15 de outubro para criar uma Biblioteca dos Direitos da Criança, em Lisboa. Não se trata apenas de mais um local de leitura, mas sim de um espaço de participação e conhecimento sobre os direitos da criança.

    Odete Soares, especialista em direitos da criança e que idealizou a biblioteca, explica o objetivo: "Reunir no mesmo espaço literatura infantojuvenil e informação sobre os direitos das crianças, através de recursos educativos e documentais. Realizar atividades de participação e iniciativas de diálogo com as crianças. Conhecer os próprios direitos é uma forma de ajudar os mais novos a identificar situações de violência, abuso ou discriminação e a saber pedir ajuda a quem de direito."

    A intenção é reunir num só local informação sobre os direitos da criança, já que Odete Soares considera que este tipo de material está disperso.

    "Agregar e divulgar relatórios, estudos e obras sobre os direitos da criança de organismos do Estado, organizações da sociedade civil, instituições nacionais e internacionais. O que nós vemos é que este património documental está disperso e nem sempre é de fácil acessibilidade". Odete Soares ambiciona que o espaço "tenha a função de memória e difusão de conhecimento e apoio à educação e à investigação."

    A ideia remonta a 2015 e desde então Odete Soares tem realizado várias diligências, incluindo contactos com a Câmara Municipal de Lisboa. A sugestão é que a autarquia ceda o espaço da antiga Biblioteca Por Timor para albergar a Biblioteca dos Direitos da Criança. Até ao momento Odete Soares não obteve resposta. 

    Grupo de crianças e jovens avança com petição 

    Quem decidiu criar a petição foi um grupo de crianças e jovens, entre os 10 e 18 anos, durante uma visita de estudo às Nações Unidas, em Genebra, realizada pelo conselho consultivo do centro de investigação da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa.

    Ao passarem pelo Museu da Cruz Vermelha, depararam-se com "situações chocantes de violação de direitos da criança" e perceberam a importância destes direitos serem defendidos. 

    Até à data desta entrevista a petição contava com 326 assinaturas entre as quais as de 22 crianças com a autorização dos respetivos encarregados de educação.

    Odete Soares apela a que assinem a petição para demonstrar às instituições que existe interesse pela criação de um espaço dedicado à proteção dos direitos da criança.

    "Queremos convidar todas as pessoas que se revejam neste projeto a assinar e a divulgar a petição para que a Biblioteca Infantojovenil dos Direitos da Criança possa finalmente tornar-se uma realidade", sublinha.