Hamas acusa Israel de resposta "negativa" ao plano de cessar-fogo em três fases

    Porta-voz do Movimento de Resistência Islâmica acusa o Governo de Telavive de levar conversações para um "beco sem saída".

    O Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) acusou hoje o Governo israelita de responder "negativamente" ao plano de três fases apresentado para alcançar um cessar-fogo, passo essencial para as negociações.

    Osama Hamdan, um alto responsável da milícia palestiniana, disse que, apesar dos esforços do Hamas, Israel recuou e pode levar as conversações mediadas pelo Qatar a um "beco sem saída", segundo o diário palestiniano Filastin, ligado ao grupo islamita.

    "A resposta à proposta das três fases apresentada aos mediadores foi negativa e não responde às exigências do nosso povo. Estas incluem a cessação das hostilidades em Gaza e o regresso dos deslocados às suas casas, bem como a retirada do exército israelita da Faixa de Gaza", afirmou.

    Hamdan disse que o Hamas mostrou "flexibilidade", enquanto Israel "continua a afastar-se das questões que já foram acordadas" e a "adiar” uma resposta positiva, o que pode significar o fim definitivo das negociações.

    O porta-voz palestiniano responsabilizou o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, por "bloquear o acordo" e reafirmou que os Estados Unidos "têm de parar de enviar armas para Israel se querem realmente acabar com o genocídio em Gaza".

    Em fevereiro, o Hamas apresentou uma contraproposta para um possível cessar-fogo que prevê um plano de três fases ao longo de 135 dias, que incluiria a libertação de reféns em troca de 1.500 prisioneiros, o fim do cerco à Faixa de Gaza e um processo de reconstrução dos territórios palestinianos.

    O grupo islamita respondeu a uma proposta anterior dos mediadores do Qatar e do Egito – apoiados pelos Estados Unidos e por Israel – e insistiu na necessidade de um cessar-fogo prolongado para aceitar qualquer tipo de acordo com as autoridades israelitas.

    Israel lançou uma ofensiva contra a Faixa de Gaza em resposta aos ataques do Hamas a 07 de outubro, que mataram 1.200 pessoas e fizeram 240 reféns.

    Desde então, o Ministério da Saúde palestiniano no enclave registou a morte de mais de 31.900 palestinianos, tendo outros 418 sido mortos pelas forças de segurança israelitas e por colonos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.