Incêndios: Quercus planta 20 mil árvores no Pinhal de Leiria

    Um ano depois dos incêndios de 15 de outubro, a associação ambientalista recupera 16 hectares do Pinhal de Leira, com a ajuda de 250 voluntários.

    Quase um ano depois dos incêndios que consumiram 86% do Pinhal de Leiria, a Quercus vai plantar 20 mil árvores, este sábado, recuperando o talhão 58.

    Trata-se de uma parceria com a Fundação Ageas e o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e que conta com cerca de 250 voluntários que vão recuperar 16 hectares do Pinhal de Leiria.

    João Branco, presidente da associação ambientalista Quercus, explicou à nossa redação que a recuperação passa pela plantação de “pinheiros mansos, bravos, carvalhos, choupos, salgueiros (...) Das 20 mil árvores, 2 500 são folhosas autóctones e as outras 17 500 são pinheiro bravo e pinheiro manso”.

     

     

    O responsável da Quercus, João Branco, destacou a importância de uma floresta diversificada e diz que a pior coisa que podia acontecer “era que o Pinhal de Leiria fosse plantado com eucaliptos, felizmente que o Estado não foi por essa opção”. O dirigente aproveitou ainda para elogiar o esforço de todos, “porque a sociedade juntou-se, há muitas entidades privadas e câmaras municipais que estão empenhadas, em conjunto com o ICNF, a devolver ao Pinhal de Leiria a vegetação que tinha antes do incêndio”.

     

     

    O país tem vários tipos de floresta e a Quercus lembra que a sul do Tejo e na Beira Interior, a floresta pode vir a ser alvo da desertificação, “porque o deserto pode atravessar o mediterrâneo e instalar-se na Península Ibérica e se não tivermos cuidado com as florestas do sul do país, o próprio Alentejo e o Algarve podem-se transformar numa zona desértica ou pelo menos semi-desértica”, disse à nossa redação o presidente da associação ambientalista.

     

     

    A Quercus avisa também que a floresta do norte e centro litoral, está a passar por uma "expansão descontrolada de eucalipto", uma vez que já havia "árvores de eucalipto que servem de sementões"  Mais a norte, a associação denuncia “um grande abate de carvalhos” centenários para a produção de lenha e, por isso, defende uma legislação que proteja o carvalho de folha caduca.

    Esta semana, fonte da Polícia Judiciária de Leiria, avançou à Lusa que a investigação aos incêndios de 15 de outubro, está em fase de conclusão e que se mantém a tese de “mão criminosa”.