Incêndios: "todos somos culpados"

    O presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, um dos concelhos mais afetados pelos fogos de outubro, reconhece que houve falhas coletivas.

    O presidente da Câmara de Oliveira do Hospital considera que os incêndios de outubro de 2017 resultam de falhas coletivas.

    O município do distrito de Coimbra foi um dos mais afetados pelos fogos que começaram a 15 de outubro. Morreram 12 pessoas, quase 200 casas foram afetadas e ardeu 97% do concelho de Oliveira do Hospital.

    "Todos nós somos culpados (...) nomeadamente o poder político que durante 40 anos foi abandonando o interior (...) até chegar a este dia com condições climatatéricas extremas, onde o combate foi desigual (...) e as pessoas ficaram abandonadas à sua sorte, porque não havia meios", diz José Carlos Alexandrino.

     

     

    O relatório da Comissão Técnica Independente conclui agora que houve falhas na programação do socorro, na rede de comunicações e um "dramático abandono" das populações.

    O presidente da Câmara de Oliveira do Hospital considera que o relatório é claro ao mostrar que a primeira intervenção falhou e depois, face às condições extremas, já não foi possível fazer um combate direto e igual ao fogo.

     

     

    Depois do outubro negro, José Carlos Alexandrino considera que o Governo deve refletir sobre as recomendações que surgem no relatório entregue esta terça-feira na Assembleia da República.

    "É preciso dotar a Proteção Civil de outros meios, profissionalizar os bombeiros (...) e precisamos de melhorar as comunicações (....) para que nunca mais morra gente inocente", sublinha o autarca de Oliveira do Hospital.

     

     

    Quase meio ano depois dos grandes incêndios, Oliveira do Hospital ainda está em reconstrução. 50 casas já foram reconstruidas, mais ainda faltam 120.