José Luís Carneiro exige explicações ao Governo sobre duas mortes no hospital de Portimão

    As duas mortes terão ocorrido alegadamente por falta de assistência médica no Hospital de Portimão.

    O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, questionou hoje, em Vila Nova de Gaia, o Governo sobre as duas mortes alegadamente por falta de assistência médica no Hospital de Portimão, exigindo ao primeiro-ministro uma explicação pública.

    Em declarações aos jornalistas, José Luís Carneiro considerou que Luís Montenegro “tem o dever de esclarecer as circunstâncias em que ocorreram as duas mortes”, na sequência de notícias sobre alegadas falhas na assistência nas urgências daquela unidade hospitalar, no Algarve.

    “O primeiro-ministro tem o dever de explicar publicamente o que é que se passou para termos tido duas mortes por falta de assistência médica naquele hospital de Portimão”, afirmou.

    O líder socialista disse ter falado com o presidente da Câmara Municipal de Portimão, que lhe transmitiu informações “muito preocupantes” sobre a falta de médicos nas urgências e os tempos de espera dos utentes por assistência.

    Segundo José Luís Carneiro, “são vários os municípios e milhares de pessoas que recorrem diariamente ao hospital de Portimão”, pelo que considerou que “os esclarecimentos são devidos não apenas às famílias das vítimas, mas também à população servida por aquela unidade”.

    Questionado sobre a ausência de explicações da ministra da Saúde, o secretário-geral do PS disse “estranhar a ausência do Governo, considerando que a responsabilidade política cabe, em primeiro lugar, ao primeiro-ministro”.

    “Para mim, a ministra da Saúde já há muito que está ausente daquilo que são as necessidades do Ministério da Saúde”, declarou o dirigente socialista, que encerrou a Convenção Autárquica de Gaia, no Auditório InovGaia.

    Aos jornalistas, José Luís Carneiro abordou também o impasse nas negociações com o Governo sobre a legislação da habitação, reiterando a disponibilidade do PS para encontrar uma solução que considere equilibrada entre os interesses dos proprietários e dos inquilinos.

    O líder socialista acusou o Governo de querer liberalizar o mercado do arrendamento e favorecer os fundos imobiliários, defendendo que “a política de habitação deve proteger os proprietários, mas também os jovens, as famílias de rendimentos médios e os idosos”.

    Carneiro afirmou que o PS apresentou ao Governo “uma proposta de garantia pública para apoiar os jovens entre os 18 e os 35 anos e as famílias até ao sexto escalão de rendimentos, complementada por seguros destinados a proteger os proprietários contra o incumprimento no pagamento das rendas e eventuais danos nos imóveis”.

    O secretário-geral socialista voltou a acusar o Governo de se ter mostrado “intransigente em duas matérias: o regime das rendas e o valor de 2.300 euros, que o PS considera incompatível com uma renda moderada”.

    “Para nós, uma renda de 2.300 euros não é uma renda moderada”, sublinhou.

    Apesar das divergências, José Luís Carneiro garantiu que o processo negocial não está fechado e manifestou disponibilidade para continuar a trabalhar numa solução alternativa.

    “Estamos disponíveis para construir soluções, que sejam soluções novas, que sejam equilibradas”, afirmou, responsabilizando o primeiro-ministro pela coordenação e liderança do processo governativo.