Macklemore anuncia a digressão "Free Palestine"

    As receitas dos espetáculos revertem a favor de organizações que apoiam a Palestina.

    O rapper norte-americano Macklemore vai realizar uma digressão chamada “Free Palestine”, com outros artistas, que para já inclui datas em Dublin, Paris e Londres, e cujas receitas revertem para organizações que apoiam o povo palestiniano, foi hoje anunciado.

    A digressão “Free Palestinne” (“Libertem a Palestina”, em português) de “Macklemore e amigos”, foi anunciada hoje nas redes sociais do ‘rapper’, que ganhou destaque nas últimas semanas ao ter sido afastado da digressão do cantor Ed Sheeran nos Estados Unidos, após ter apelado em palco à libertação da Palestina, algo que tem feito ao longo dos últimos anos em vários países, incluindo em Portugal em 2024, durante uma atuação no Rock in Rio Lisboa.

    A “Free Palestine Tour” inclui, para já, datas em Dublin, em 26 de outubro, Paris, em 29 de outubro, e Londres, em 30 de outubro, sendo anunciadas em breve datas nos Estados Unidos, assim como o nome dos artistas que integrarão a digressão.

    “Todas as receitas irão reverter a favor de organizações que apoiam o povo palestiniano e o movimento [pró-Palestina]”, lê-se na publicação.

    No texto que acompanha o anúncio, Macklemore refere que “ estas últimas semanas mostraram alguma coisa, que algo mudou nos últimos três anos”.

    A fase mais recente do conflito israelo-palestiniano, que dura há três anos, foi desencadeada pelos ataques liderados pelo movimento islamita palestiniano Hamas em 07 de outubro de 2023, no sul de Israel, que causaram cerca de 1.200 mortos e mais de duas centenas de reféns.

    Desde então, na retaliação por parte de Israel, foram mortas na Faixa de Gaza mais de 73 mil pessoas e quase 180 mil ficaram feridas, de uma população de cerca de dois milhões de pessoas, havendo ainda por contabilizar cadáveres entre os escombros e em zonas ocupadas por Israel, segundo o balanço mais recente das autoridades daquele território.

    Macklemore considera que, desde 2023, “tem havido um despertar coletivo em torno da libertação palestiniana, do poder dos multimilionários que tentam censurar esse apelo e do que de espera dos artistas neste momento”.

    O ‘rapper’ defende que, em 2026, “já não é viável alguém manter-se apolítico durante um genocídio”.

    “As pessoas estão a pedir aos artistas que se posicionem, que se informem e estejam em comunidade. Que utilizem o palco para mais do que apenas entretenimento. Que se oponham quando o apelo por uma Palestina Livre é recebido com tentativas de o silenciar”, referiu.

    Ed Sheeran alegou que o afastamento de Macklemore das restantes datas da sua digressão nos Estados Unidos foi imposto pelos promotores da digressão, pressionados pelos donos de alguns dos locais para onde estavam agendados concertos, um dos quais o empresário Robert Kraft.

    A promotora alegou que caso Macklemore continuasse no cartaz, toda a digressão teria de ser cancelada.

    Para Macklemore, o que lhe aconteceu “é maior que um artista ou um palco”: “quando a classe dos multimilionários pode decidir que vozes são permitidas no palco e quais são demasiado perigosas para serem ouvidas, todos deviam estar atentos”.

    “Passei a última semana a contactar artistas que se manifestaram e utilizaram as suas plataformas para demonstrar solidariedade com o povo palestiniano, independentemente das consequências. [...] Devido à rapidez com que tudo isto se concretizou, muitas das conversas, agendas e pormenores ainda estão a ser acertados. Mas este é um momento de impulso, e há trabalho a fazer”, refere o ‘rapper’.