Madeira na lista de paraísos fiscais

    O arquipélago aparece em 64.º lugar, entre 112 Estados, e é considerado um "operador pequeno".

    Portugal aparece na classificação de paraísos fiscais criada pela Organização Não-Governamental (ONG) Rede de Justiça Fiscal (TJN, na sigla em inglês), através da Madeira, em 64.º lugar, entre 112 Estados.

    Com uma pontuação de 55%, a Madeira surge mais perto do extremo "moderadamente secreto", correspondente ao intervalo 31-40%, do que do "excecionalmente secreto" (91-100%), segundo o site daquela ONG, que dedica uma página inteira ao arquipélago.

    Na ficha relativa aos serviços financeiros "offshore" da Madeira, menciona-se que o peso desta é inferior a um por cento do mercado global destes serviços, o que a torna um "operador pequeno".

    A TJN adiantou que a sua informação é baseada em várias fontes de informação -- notícias, legislação, regulação, relatórios -- disponíveis em 30 de setembro último. 

    Dos 20 indicadores usados para construir o índice, a Madeira tem as piores classificações em itens relacionados com a transparência legal relativa à entidade em causa -- propriedade, contas e taxa de imposto paga -- e com o registo de propriedade, designadamente limitada cooperação internacional e posse de outros ativos.

    O Índice de Segredo Financeiro ordena jurisdições segundo o grau do seu segredo e a escala das suas atividades 'offshore'. 

    A TJN estima que uma quantia entre 21 biliões (milhão de milhões) e 32 biliões de dólares (17 biliões a 26 biliões de euros) de ativos financeiros privados está escondida em jurisdições secretas, expressão que à de paraísos fiscais.

    Esta ONG apontou que quantia de dinheiro que circula anualmente desta forma encapotada está algures no intervalo entre um bilião e 1,6 biliões de dólares. Por comparação, a ajuda externa dos EUA fica-se pelos 135 mil milhões de dólares. 

    Portugal é apontado expressamente como um dos perdedores com este fenómeno. Nas palavras da TJN: "Os países ricos também sofrem. Por exemplo, países europeus, como Grécia, Itália e Portugal foram postos de joelhos, em parte por décadas de evasão fiscal e pilhagem de recursos estatais, devido ao segredo dos 'offshores'". 

    A informação está disponibilizada no sítio da organização na Internet, em https://www.financialsecrecyindex.com/.