Mães pela Acampada promovem vigília este sábado no Rossio contra cargas policiais

    A concentração está marcada para as 19h00 nos Restauradores seguida de deslocação em silêncio para o Rossio.

    O grupo Mães pela Acampada promove hoje uma vigília em Lisboa contra as cargas policiais sobre manifestantes pelo direito à habitação, com concentração às 19:00 nos Restauradores seguida de deslocação em silêncio para o Rossio.

    "Exigimos o fim imediato das cargas policiais sobre as acampadas. Pedimos respeito pela liberdade de expressão e de protesto, pedimos resposta às causas de justiça social que defendem as pessoas que se manifestam. Não as vão encostar à parede: elas estão voltadas para o futuro", indicaram em comunicado.

    A concentração está marcada para as 19:00, na zona virada para o Rossio da Praça dos Restauradores, e às 19:30 está prevista uma "assentada em silêncio", com velas a pilhas ou pequenas lanternas que quem quiser participar deve levar, ou então pode mesmo usar o telemóvel.

    "Tem havido muito ruído e há coisas que as palavras não conseguem carregar. Somos mães, pais, avós, cuidadores. Vamos estar presentes, sem palavras de ordem e sem bandeiras, com uma luz na mão e o rosto virado para aquilo que nos preocupa. O silêncio é uma forma de falar", vincaram as Mães pela Acampada.

    O silêncio deverá ser apenas interrompido por "duas ou três canções curtas do coro, espaçadas" e às 20:30 a manifestação vai deslocar-se em silêncio para o Rossio, onde vai fazer um cordão humano à volta da praça, com as pessoas viradas para a estrada, até às 21:00.

    "Não estamos contra ninguém, estamos contra todas as formas de violência. Estamos a favor da liberdade, da paz, do cuidado", salientaram, prometendo voltar "as vezes necessárias".

    As Mães recomendaram ainda que os participantes levem "agasalhos para o frio e uma manta ou cartão" para se sentarem no chão.

    Na quinta-feira, este grupo pediu ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Carlos Moedas (PSD), que desloque o mercado de Natal previsto para o Rossio para a Praça do Município, considerando "uma alternativa mais adequada" e um "espaço igualmente central e representativo da cidade".

    "Não estamos contra a feira de Natal. Estamos a favor de uma Lisboa que saiba valorizar os seus espaços, respeitar o seu património e encontrar soluções mais equilibradas para todos", sublinharam.

    Os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades.

    A intervenção da PSP para dispersar as acampadas e retirar as tendas no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, culminou em cargas policiais que provocaram dezenas de feridos e a abertura de um processo da Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) à atuação da polícia.

    O grupo Mães pela Acampada surgiu na sequência das cargas policiais, formado principalmente por mães e familiares de jovens manifestantes, procurando garantir o respeito pelo direito fundamental ao protesto pacífico e à manifestação.

    Os manifestantes exigem, entre outras coisas, a reversão da nova lei do arrendamento, um travão à aquisição de habitação por parte dos fundos imobiliários e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.