Manifestantes decidem voltar a acampar no Rossio a partir desta quarta-feira
A decisão foi tomada esta noite em Assembleia Popular.
Os manifestantes pela habitação vão voltar a acampar a partir de quarta-feira no Rossio, em Lisboa.
A decisão foi tomada esta noite em Assembleia Popular, depois da intervenção policial da última madrugada que levou à retirada das tendas e à detenção de 55 manifestantes, entretanto libertados.
Centenas de pessoas juntaram-se ao final do dia na praça lisboeta. O mesmo aconteceu noutros pontos do país, como Porto, Leiria ou Évora.
"Há centenas de imóveis devolutos há anos e tanta gente sem ter casa"
Isabel decidiu juntar-se esta terça-feira ao protesto no Rossio, em Lisboa, lamentando "haver tanta casa devoluta e essas casas não serem libertadas".
"Acho incrível o Estado ter centenas de imóveis devolutos e não os libertar para dar habitação às pessoas. Isso é que acho que as pessoas deviam pedir, porque não há explicação. Há centenas de imóveis devolutos há anos e anos e tanta gente sem ter casa, sem poder pagar uma renda, sem poder comprar uma casa, com o custo de vida como está, e não se compreende."
A manifestante conhece "pessoas que reformaram-se, têm uma reforma razoável e ainda assim têm dificuldade em pagar renda. Esse é um problema."
Outro problema, adianta, "é não ter casas, não haver casas. Sabe que eu sou antiga e nos anos 50, 60, as pessoas eram obrigadas a partilhar casa. E pouca gente se lembra disso. Não havia outra forma. As pessoas não tinham dinheiro suficiente para arrendar uma casa, então juntavam-se e viviam em quartos. A vida evoluiu de forma a que isso fosse evitado e que cada um tivesse a sua casa e o mínimo de dignidade na habitação. E agora está a voltar ao que era nessa altura. E é indecente. É mesmo indecente."

