Mario Biondi: "gosto de estar no palco tal como sou"

    Entrevista ao artista italiano que atua a 6 de abril no Salão Preto e Prata do Casino Estoril.


    Mario Biondi regressa a Portugal para atuar no Salão Preto e Prata do Casino Estoril. O concerto está marcado para o dia 6 de abril. 

    O cantor italiano traz "Crooning Undercover", o álbum mais recente, mas também outras canções que, ao longo do tempo, se têm entrosado com a voz profunda que o define. Habituado a explorar diversos sons e tradições, o artista italiano move-se pelo jazz, blues, bossa nova, r&b ou pop, mantendo, porém, uma estética mais vintage.

    Um dos nomes mais sonantes do jazz italiano, Mario Biondi já colaborou com nomes de alto gabarito, como é o caso de Burt Bacharach, Chaka Khan ou Michael Bolton. Na extensa lista de nomes com quem já trabalhou, está o do português Paulo Gonzo, músico com quem Biondi mantém uma bonita amizade. 


    Creio que a primeira coisa que os fãs que tem em Portugal querem saber é o que é que podem esperar do concerto. O que é que nos pode contar sobre o espetáculo?

    Quero que passemos uma bela noite juntos. Espero que os meus músicos sejam bem acolhidos porque estou acompanhado por bons rapazes. Além de serem músicos fantásticos também são pessoas maravilhosas. E não é fácil juntar estas duas qualidades. Por vezes, pode ser muito difícil juntar estes dois ingredientes.

    A química entre os músicos e a fusão dessas duas qualidades ajuda a chegar à perfeição?
    Bem, somos apenas humanos. Queremos apenas que o público sinta o amor que temos pela música. É esse o nosso propósito.   

    Como é que prepara o alinhamento dos concertos? É um processo fácil para si?
    É uma das coisas mais difíceis que tenho de fazer. Depende da disposição. Gosto de falar com o público e quero perceber como é que as pessoas que estão na sala se estão a sentir. Não quero ter um alinhamento muito fechado. Por vezes, seguimos o alinhamento que já estava preparado e noutras alturas alteramos o que estava preparado por causa do público. Eu gosto de sentir as emoções das pessoas que estão à minha frente. 


    Gosta de conversar sobre que assuntos durante os espetáculos?

    Isso sou eu a ser eu próprio. Gosto de estar como sou no palco. Gosto de sentir que posso ser forte e frágil. Escolho essa forma humana de estar. E, por norma, as pessoas gostam dessas conversas. 

    Por falar em ser humano, li o seguinte numa entrevista que deu: "acredito nos humanos, na bondade que têm. Acredito que podem salvar este mundo louco". Acha que a música pode ter um papel nesse resgate do mundo, nem que seja para ajudar as pessoas individualmente.  
    Acho que as pessoas andam ou demasiado sérias ou demasiado brincalhonas. Acho que devíamos encontrar o meio-termo. Se andarmos sempre com uma postura demasiado séria, arriscamos discutir com alguém. Se formos demasiado brincalhões, pode acontecer o mesmo. Se equilibrarmos o lado mais sério com o lado mais brincalhão, acho que podemos encontrar o equilíbrio real de um ser humano.   

    "Crooning Undercover" é o nome do álbum mais recente que editou. Mistura versões com originais e convidou uma série de gente para o disco. Qual era o conceito que tinha em mente para fazer estas escolhas?
    Neste momento, é o meu preferido. Mas é sempre assim. O último que fiz é sempre o meu favorito. Acho que é um álbum muito bonito, com músicos fantásticos. Tem uma linguagem de jazz muito real. Tem também uma orquestra maravilhosa e canções incríveis. As versões são canções lindas, perfeitas. Acho que tem a atmosfera de sons certa para este género de música. E não é fácil juntar todos estes sabores e chegar a este resultado. Estou muito feliz com o disco. Estou muito orgulhoso.


    Não sei se costuma olhar para o caminho que fez, mas gostava de saber o que é que tem aprendido...
    A grande lição que aprendi é para sermos quem somos todos os dias. Sermos nós próprios nos bons e nos maus momentos. Temos de ser quem somos todos os dias. E nem sempre é fácil. Parece que temos de estar constantemente a mostrar que somos fortes o suficiente para enfrentar batalhas. Mas não temos de enfrentar batalhas. Temos de viver as nossas vidas e usufruir das nossas vidas com um espírito de união. Precisamos de paz em todos os cantos do mundo. É incompreensível haver duas guerras tão perto de nós. Tento ser eu próprio todos os dias. Tento ser o rapaz que era há quarenta anos.  

    Gosta de explorar sons, tradições e culturas diferentes. Será que a música portuguesa poderá servir de inspiração para algo no futuro?
    Honestamente, posso dizer que cresci mais em contacto com a música brasileira. A língua é a mesma, mas a música é um pouco diferente. Mas, há menos tempo que isso, vi a atuação do Salvador Sobral na Eurovisão e fiquei muito impressionado. É um cantor muito suave e canta cheio de sentimento. É fantástico. Maravilhoso.