Ministra da Justiça alega que auditoria à PJ visa "proteger a instituição"
Rita Alarcão Júdice rejeita estar a investigar outro ministro.
A ministra da Justiça garantiu hoje que a decisão de determinar uma auditoria à Polícia Judiciária (PJ) visou unicamente "proteger a instituição", rejeitando que seja um ministro a investigar outro ministro.
"A nossa ação e a nossa atuação, neste caso em concreto, pautou-se pelo único objetivo que é proteger a Polícia Judiciária e defender as instituições", disse Rita Alarcão Júdice, em Lisboa, sustentando que "é importante que seja esclarecido tudo o que há a esclarecer".
O Ministério da Justiça ordenou "a realização de uma avaliação interna" e de uma auditoria da Inspeção-Geral dos Serviços de Justiça (IGSJ) à PJ, na sequência de notícias em torno da atuação do atual ministro da Administração Interna, Luís Neves, enquanto dirigiu a instituição policial.
Em causa estão, nomeadamente, uma obra numa propriedade de Luís Neves no Alentejo, realizada por uma empresa que tinha sido contratada pela PJ, e pela descoberta, na mesma Construbarcelos, de um atrelado que tinha sido apreendido no âmbito de uma operação contra o tráfico de droga.
Segundo fonte da PJ, a auditoria vai centrar-se em contratos e obras públicas de entre 01 de janeiro de 2018 e 31 de julho de 2026, um período que abrange o final do mandato do antigo diretor nacional Almeida Rodrigues, toda a gestão de Luís Neves e os primeiros meses do mandato do atual diretor, Carlos Cabreiro.
"Não está em causa a investigação de um ministro por outro ministro. Não está em causa a averiguação política ou pessoal de uma determinada pessoa. O que está aqui em causa é a averiguação, uma auditoria administrativa a uma determinada matéria no âmbito da Polícia Judiciária", sublinhou hoje Rita Alarcão Júdice, ladeada pelo atual diretor da PJ, Carlos Cabreiro, à entrada da cerimónia de aceitação do Curso de Formação de Inspetores, na sede da força policial, em Lisboa.
"A minha preocupação é defender as instituições, defender a Polícia Judiciária, que é uma entidade essencial do funcionamento do Estado. É essencial que a confiança que os portugueses têm e continuam a ter na Polícia Judiciária (PJ) seja mantida e inatacável", insistiu a ministra da Justiça.
Além destes dois procedimentos, anunciados na sexta-feira pelo Ministério da Justiça, o Ministério Público tem ainda em curso um inquérito-crime ao caso do atrelado, confirmou, em julho, a Procuradoria-Geral da República.
Em 29 de julho, em conferência de imprensa, Luís Neves, que dirigiu a PJ entre junho de 2018 e fevereiro de 2026, garantiu que agiu sempre na "vida com total independência e sentido de dever" e que nunca utilizou "cargos públicos para beneficiar quem quer que fosse".
