Ministra do Ambiente pede ação para diminuir aquecimento global
A 31ª reunião da ONU sobre o clima (COP31) arranca segunda-feira na Turquia
A ministra do Ambiente e Energia defende que na cimeira do clima que começa segunda-feira na Turquia é preciso "passar das grandes declarações para a ação", porque os objetivos já existem.
"Nós temos objetivos, que são objetivos importantes, temos de os cumprir, e portanto, passarmos das grandes declarações para a ação", afirmou Maria da Graça Carvalho em entrevista à Agência Lusa sobre a 31ª reunião da ONU sobre o clima (COP31), que se realiza na Turquia entre os dias 9 e 20 de novembro.
As reuniões da ONU sobre o clima têm como objetivo principal levar o mundo a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa (GEE) e diminuir o aquecimento global. Até agora as emissões têm estado sempre a crescer e o aquecimento também, como indica o mais recente relatório do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP, na sigla original).
Maria da Graça Carvalho reconheceu que não é um bom augúrio e apontou para metas do relatório como a de que as emissões caiam 18% até 2030 e 45% até 2035. São metas, disse, em linha com o Plano Nacional de Energia e Clima e com os objetivos nacionais.
"Nós queremos cumprir e estamos a cumprir, o que foi prometido em termos de alterações climáticas no Acordo de Paris. Agora, a nível mundial, não está a ser assim", apontou, afirmando esperar que na COP31 se inverta a trajetória e se reduzam emissões. Não porque se prometeu no Acordo de Paris (em 2015) mas porque "é essencial para o mundo".
Como são essenciais objetivos já traçados em anteriores COP, que agora devem ser reforçados e relembrados, o de triplicar as energias renováveis, ou dar mais atenção à adaptação, triplicando também o financiamento global até 2035.
Portugal, disse Maria da Graça Carvalho, não precisou de traçar uma meta para lá chegar, "porque a quantidade de tempestades do início do ano fez com que o financiamento para a resiliência dos territórios, a adaptação às alterações climáticas, mais do que triplicasse".
"Estive a fazer a contabilidade, só no nosso Ministério investimos, tanto no litoral, na reparação dos danos, nos rios, nos diques, nas linhas elétricas, um pouco acima dos 1.000 milhões de euros. É muito mais que o triplo do que fizemos no ano passado".
Portugal, recordou, está muito exposto e a luta contra as alterações climáticas é uma guerra difícil, "porque do outro lado está algo que não controlamos".
Na semana passada, disse, esteve concentrada em territórios do interior norte quase a entrar em seca severa. E não tem dúvidas que dentro de uma semana podem haver cheias nessa região, e depois seca de novo.
Maria da Graça Carvalho destacou a sua função de ajudar na transição, na indústria ou nos edifícios, ou nos transportes e afirmou acreditar que os elevados preços dos combustíveis fósseis podem ser uma motivação para essa transição, lembrando que as vendas de carros elétricos bateram recordes.
A COP31 acontece num momento especial, o preço elevado dos combustíveis fósseis, depois das eleições no Brasil e nos Estados Unidos, quando outras estão quase a acontecer (Espanha e França), tornando a reunião internacional "interessante" também do ponto de vista político.
Interessante também, acrescentou, a ênfase na componente mar, trazida pela Austrália, rodeada de pequenos Estados muito expostos às alterações climáticas.
A questão dos oceanos, importante para Portugal, já tinha surgido em conferências anteriores e Maria da Graça Carvalho enfatizou a importância dessa ligação com o clima. Aliás, disse, a desertificação e a biodiversidade deviam estar mais presentes também, temas que "nasceram" na primeira Cimeira da Terra, no Brasil, Rio de Janeiro, em 1992, quando foram criadas as "conferências das partes" (COP) do clima, da biodiversidade e da desertificação, a primeira anual e as outras bienais.
"Esta COP devia ser uma COP da ação, passar das intenções e das metas e das ambições para a ação concreta", defendeu a ministra do Ambiente.
