Morreu o ator Patrick Stewart
O ator britânico foi o capitão Jean-Luc Picard de "Star Trek" e o Professor X de "X-Men". Morreu na quarta-feira aos 86 anos.
Morreu o ator britânico Patrick Stewart. Tinha 86 anos.
O ator ficou conhecido pelos papéis nas séries "Star Trek" e "X-Men", onde foi o capitão Jean-Luc Picard e o Professor X, respetivamente.
A notícia da morte de Sir Patrick Stewart foi comunicada esta quinta-feira pela família nas redes socais.
"Guardaremos para sempre a serenidade e a reflexão estampadas no seu rosto, uma memória perene da sua graça invencível", lê-se no comunicado, onde é referido que o ator morreu na quarta-feira, na sua casa em Los Angeles, nos EUA, após "uma breve e comovente viagem com a doença de Alzheimer e demência".
A estreia nos palcos
Patrick Stewart nasceu em julho de 1940, no Yorkshire, em Inglaterra, onde cresceu e viveu numa casa marcada pela violência paterna.
Juntou-se a um grupo de teatro amador aos 12 anos. Estreou-se como ator profissional em 1959, numa adaptação de "Cyrano de Bergerac", de Edmond Rostand. Em 1966, entrou na Royal Shakespeare Company, onde permaneceu até 1982, destacando-se na interpretação de peças como "Hamlet", "O mercador de Veneza", "Comédia de uma noite de verão", "Os dois cavaleiros de Verona".
“O palco revelou-se um espaço seguro, um refúgio da vida real, no qual podia habitar outra pessoa, vivendo noutro tempo e noutro lugar”, escreveu nas memórias "Making it so", hoje citadas pela Associated Press (AP).
Cinema e televisão
Em 1987, quando assumiu pela primeira vez o papel do Capitão Jean-Luc Picard, em "Star Trek: A geração seguinte", o cinema e a televisão passaram a dominar a carreira do ator.
Patrick Stewart interpretou a personagem ao longo de sete temporadas, em quatro filmes e produções televisivas, como "Star Trek: Picard" (2020-2023).
Em 2000, assumiu outro papel em produções de grande público: o Professor X, Charles Xavier, de "X-Men", da Marvel, a que regressaria em mais nove filmes. A seu lado, no papel de Magneto, tinha Ian McKellen, outro ator britânico com quem partilhava os palcos, o grande repertório 'shakesperiano' e uma das mais citadas interpretações de "À Espera de Godot", de Samuel Beckett.
"Ele não escondia o que sentia, o que o tornava um homem em quem se podia confiar, a quem se podia admirar e, no meu caso, amar", refere Ian McKellen.
"O ator com formação clássica"
A agência norte-americana de notícias AP refere-se hoje a Patrick Stewart como "o ator com formação clássica que conferiu uma gravidade 'shakespeariana' aos 'franchises' 'Star Trek' e 'X-Men'", lembrando que "passou a maior parte da carreira nos palcos, e não na Mansão X ou a bordo da USS Enterprise".
"Além de interpretar personagens que vão de Cláudio a Macbeth, [Stewart] apresentava frequentemente uma versão a solo de 'Um Conto de Natal', participou em produções de 'Terra de Ninguém', de Harold Pinter, e 'À Espera de Godot', de Samuel Beckett", escreve a AP, que recorda algumas das melhores críticas da carreira do ator, em papéis de Shakespeare, como Macbeth, em jornais como o britânico The Times e o norte-americano The New York Times.
Em entrevista à AP, em 2008, o ator disse que decorou todos os solilóquios de Shakespeare, desde a adolescência, "só porque os achava fantásticos".
Condecorado pela Rainha e o apoio às vítimas de violência doméstica
Em junho de 2010, foi armado cavaleiro por Isabel II. Foi embaixador do International Rescue Committee e patrono da Refuge, organização de abrigo a vítimas de violência doméstica.
“Perdemos hoje um dos grandes nomes do palco e do ecrã”, disse o ator Hugh Jackman, que contracenou com Stewart em “X-Men”.

