Os mitos associados à gaguez
No Dia Mundial de Sensibilização para a Gaguez, a Associação Portuguesa de Gagos ajuda a desmistificar algumas questões.
A Associação Portuguesa de Gagos (APG) defende que a falta de informação sobre a gaguez leva a "inúmeros mal-entendidos, alimentados tanto por desconhecimento como por incúria ou má-fé". Estes estereótipos, "contribuíram, ao longo dos tempos, para desvalorizar e inferiorizar a pessoa que gagueja".
A gaguez, "do ponto de vista científico pode ser classificada como uma perturbação da comunicação em que a pessoa sabe exatamente o que quer dizer, mas o seu discurso é caracterizado por bloqueios ou repetições e podem, ou não, ocorrer comportamentos associados: tiques faciais ou outros gestos", refere José Carlos Domingues, presidente da comissão de Gestão da APG.
Numa altura, em que a gaguez se tornou mediática, depois da eleição da deputada do LIVRE, Joacine Katar Moreira, a nossa redação falou com a Associação Portuguesa de Gagos que nos desvendou alguns dos mitos mais populares sobre a condição de gago.
Provavelmente, já ouviu dizer que se pode ficar gago com um susto, ora esse é um dos maiores mitos acerca da gaguez. O dirigente da APG esclarece que essa ideia "está definitivamente posta de parte como causa para a gaguez".
Se pensa que um gago é menos inteligente, menos extrovertido ou menos cofiante está enganado, José Carlos Domingues diz que "existem gagos com todos os tipos de personalidade, tal como todos os não gagos".
A APG, no seu 'site', enumera vários mitos acerca das causas para a gaguez e sobre os quais pode passar uma borracha. Segundo essa informação, está errado pensar que o nervosismo, o stress e os traumas e/ou estados emocionais são causas para a gaguez. Estará igualmente a cometer um erro se pensar que se pode "apanhar" gaguez de alguém, como se de um sotaque se tratasse, que a gaguez na criança pode ser causada por negligência parental ou que a gaguez pode desaparecer se o gago se esforçar.
De acordo com a Associação Portuguesa de Gagos, não ajuda "dizer à pessoa que gagueja: respire fundo, pense antes de falar. Estes conselhos fazem com que a pessoa se sinta mais consciente acerca das disfluências e depois quando põe estes em prática frustra-se porque não resultam".
A gaguez não tem cura, é errado forçar uma criança gaga a não falar com disfluências. Diz a APG que "a combatividade irá ter consequências a nível psicossocial e assim empolar a situação".
O dirigente da associação refere que "não existe uma cura definitiva e total, mas existem diversas metodologias de tratamento e de terapia que podem ter sucesso. A área científica na Associação Portuguesa de Gagos aconselha para acompanhar casos de gaguez é efetivamente a terapia da fala".
Assinala-se hoje, 22 de outubro, o Dia Mundial de Sensibilização para a Gaguez.
