Papa fala com Putin a partir do hospital a pedir um cessar-fogo com a Ucrânia

    Leão XIV expressou “profunda preocupação com a grave crise humanitária” na cidade ucraniana de Oleshky, na região de Kherson.

    O Papa Leão XIV manteve hoje uma conversa telefónica com o Presidente russo, Vladimir Putin, a partir do hospital onde está internado, para lhe pedir um cessar-fogo com a Ucrânia e lhe propor diálogo.

    Durante a conversa, o Papa norte-americano expressou “profunda preocupação com a grave crise humanitária” na cidade ucraniana de Oleshky, na região de Kherson, indicou o Vaticano num comunicado.

    Apelou, assim, a Putin para “uma trégua que permita a chegada de ajuda alimentar e sanitária, bem como a retirada voluntária e segura da população civil”.

    “Por fim, o Santo Padre reiterou o compromisso da Santa Sé em prol do diálogo e da paz”, referiu a nota de imprensa.

    A chamada decorreu enquanto Leão XIV se encontra internado no hospital Gemelli, em Roma, onde na terça-feira foi submetido à remoção do lobo inferior do pulmão direito devido a um adenocarcinoma.

    Os boletins médicos mais recentes apontam uma “melhoria contínua” do estado de saúde do chefe da Igreja Católica, que já recuperou a sua autonomia.

    O Vaticano divulgou hoje as primeiras imagens de Leão XIV desde a cirurgia, mostrando-o a celebrar missa de pé, diante do altar, envergando paramentos verdes, numa capela improvisada, montada para ele no hospital Gemelli.

    O porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, afirmou que o Papa presidiu à liturgia sozinho, distribuindo a comunhão à equipa médica e aos agentes da guarda vaticana presentes.

    Proferiu ainda uma homilia na qual agradeceu à equipa hospitalar “pelo trabalho que realizam todos os dias, cuidando dos doentes na sua fragilidade, e, de forma particular, pelo que fizeram por ele”, disse Bruni.

    Robert Francis Prevost tem-se mostrado preocupado com a guerra na Ucrânia desde a sua eleição, em maio de 2025, fazendo repetidos apelos públicos para o fim do conflito e oferecendo o Vaticano para acolher uma eventual negociação entre Kiev e Moscovo.

    A sua primeira conversa com o Presidente russo decorreu a 04 de junho desse ano, tendo já, nessa altura, solicitado a Putin “um gesto em favor da paz” na Ucrânia.

    O Papa norte-americano recebeu também, em diversas ocasiões, no Vaticano o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.

    A última vez que se referiu à guerra entre a Ucrânia e a Rússia foi após a oração do Angelus, no passado domingo, pouco antes de anunciar ao mundo que iria ser operado para remover um nódulo de um pulmão, que só após retirado pôde ser analisado e foi, então, classificado como maligno.

    Da janela do Palácio Apostólico, instou a que se garantisse o comércio de cereais no mar Negro, alertando que muitos países pobres dependem da importação desse alimento básico.

    “A guerra na martirizada Ucrânia continua a causar sofrimento muito além das suas fronteiras, especialmente nos países mais pobres, onde tantas pessoas dependem das importações de cereais”, denunciou.

    De seguida, fez um “apelo urgente” às partes em conflito para que “permitam o transporte seguro de cereais através do mar Negro”, sustentando que “o pão de cada dia de milhões de pessoas não pode ser refém da guerra”.