Parte das reservas de combustível portuguesas estão em França por falta de capacidade

    Ministra do Ambiente e da Energia acusa o secretário-geral do PS de irresponsabilidade nos argumentos feitos.

    Resumo IA

    • A ministra da Energia afirmou que Portugal enviou reservas de combustível para França devido à falta de capacidade de armazenamento.

    • O encerramento da refinaria de Matosinhos em 2021 reduziu a capacidade de armazenamento em um terço, com 132 mil toneladas de crude agora em França.

    Resumo feito por IA e revisto pela redação da SmoothFM

    A ministra da Energia explicou hoje que Portugal se viu obrigado a enviar uma parte das reservas estratégicas de combustível para França por falta de capacidade de armazenamento no país, após declarações do secretário-geral do PS, que questionou esta operação. 

    No final da reunião do Conselho de Ministros de hoje, Maria da Graça Carvalho, disse que o encerramento da refinaria de Matosinhos em 2021 reduziu a capacidade de armazenamento de crude e combustíveis.

    Por isso, indicou, Portugal viu-se "obrigado a enviar parte das suas reservas para França", sendo estas menos de um décimo do total, assegurou, indicando este é um sistema "muito utilizado na Europa". 

    "O que o secretário-geral do PS fez hoje foi um exercício de irresponsabilidade tanto pela falsidade dos argumentos como pela incapacidade de reconhecer as consequências de factos" que ocorreram durante um Governo do PS, disse a governante. 

    José Luís Carneiro disse que tinha recebido a informação "de que o Estado português mobilizou uma parte das suas reservas estratégicas de energia para França" e também que está a comprar um tipo de crude "que não tem aplicação enquanto combustível imediato" já que "exige um tipo de refinação" que diz não existir em Portugal.

    "O encerramento da refinaria de Matosinhos, realizado em 2021, durante o governo do PS, reduziu em cerca de um terça a capacidade de armazenamento de crude e combustíveis em Portugal", indicou a ministra, acrescentando que a "Galp transmitiu à ENSE [Entidade Nacional para o Sector Energético] não ter capacidade de continuar o contrato de armazenamento de combustível que tinha em Portugal". 

    "Foi por isso que Portugal se viu obrigado a enviar parte das suas reservas para França", destacou, apontando que Portugal tem 132 mil toneladas de crude armazenado em França, mas é propriedade do Estado português e pode ser mobilizado a qualquer momento por decisão do Governo". 

    "Portugal não enviou combustível para abastecer França", assegurou, realçando que o país "mantém plenamente assegurada a segurança de abastecimento dos combustíveis", dispondo de cerca de 92 dias de reservas. 

    A ministra esclareceu ainda que o tempo que demora a resgatar o que está armazenado em França é de "duas a três semanas", indicando que "são sempre primeiro usadas "as reservas armazenadas em Portugal". 

    Maria da Graça Carvalho disse ainda que esta situação "é temporária", tendo o Governo pedido à ENSE que "elaborasse um estudo" de possíveis localizações e custos para aumentar a capacidade e permitir que tudo esteja em Portugal.

    Esse estudo apontou o local e um custo de 60 milhões de euros, a executar em quatro ou cinco anos, que a ministra disse ser "perfeitamente suportável" pelo sistema. 

    A governante garantiu ainda que o crude em Portugal pode todo ser refinado e revelou ainda que o custo de armazenamento em França é inferior a Portugal.