Pelo menos 160 mortos em inundações no Nepal e Tibete. Há dois portugueses desaparecidos

    Há registo de centenas de desaparecidos, a maioria turistas.

    Pelo menos 160 pessoas morreram e centenas foram dadas como desaparecidas na sequência da enxurrada devastadora que atingiu hoje a região fronteiriça entre o Nepal e o Tibete, avançam as autoridades locais.

    No Nepal, são 157 as vítimas mortais e centenas os desaparecidos, a maioria turistas oriundos de países como a Índia, os Estados Unidos, o Reino Unido e a Malásia.

    Do lado chinês, a televisão estatal CCTV noticiou que pelo menos três pessoas morreram e 265 foram dadas desaparecidas.

    Contactada pela nossa redação, fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros refere que há dois cidadãos portugueses entre os desaparecidos.

    O transbordo do rio Bhotekoshi ocorreu cerca das 09h00 (04h15 em Lisboa) e destruiu várias aldeias, estradas e projetos hidroelétricos.

    O exército nepalês, que mobilizou meios significativos, incluindo vários helicópteros, anunciou o resgate de 114 pessoas.

    A polícia divulgou nas redes sociais imagens impressionantes de uma enorme vaga a percorrer um vale no distrito de Rasuwa, arrastando vários edifícios.

    As inundações afetaram uma das principais passagens terrestres entre o Nepal e a China e uma rota também utilizada por peregrinos e turistas que se deslocam para o Tibete, informou a agência de notícias espanhola EFE.

    Uma corrente de lama também causou na China “várias vítimas e desaparecidos no posto fronteiriço de Gyirong”, na região do Tibete (noroeste), noticiou a agência de notícias chinesa Xinhua.

    Imagens divulgadas pela televisão pública chinesa CCTV mostram águas turbulentas a arrastar ramos e detritos, bem como uma estrada inundada.

    O que está na origem das inundações?

    Inicialmente, o ministro das Relações Exteriores do Nepal disse que a inundação teria sido causada por um sismo que desencadeou uma avalanche, mas o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) indicou que o evento inicialmente registado como um terramoto de magnitude 4,4 registado no Nepal foi, na verdade, gerado pelo deslizamento de terras.

    A região dos Himalaias é particularmente vulnerável a chuvas intensas, inundações e deslizamentos de terra por estar a aquecer a um ritmo mais rápido do que o resto do planeta devido às alterações climáticas causadas pela ação humana.

    Estudos divulgados este ano pelo grupo de investigação de Katmandu revelaram que os glaciares na região do Hindu Kush e dos Himalaias estão a derreter a um ritmo acelerado, tendo a taxa de perda de gelo duplicado desde 2000.

    Notícia atualizada às 22h00