Pilar del Río alerta para avanço de "neo-ditadores" e apela à defesa da liberdade

    A Presidente da Fundação José Saramago participou na inauguração da exposição de Daniel Mordzinski durante o festival BABELL.

    A inauguração da exposição de fotografias de Daniel Mordzinski, integrada na programação do BABELL – Festival Literário do Porto, transformou-se também num momento de reflexão sobre a liberdade, a democracia e o papel dos cidadãos perante os desafios do presente.

    Perante uma das imagens mais emblemáticas da mostra, dedicada a José Saramago, Pilar del Río sublinhou que a responsabilidade evocada pelos retratos expostos não pertence apenas aos escritores ou ao fotógrafo argentino, mas a toda a sociedade.

    “É uma grande responsabilidade para os cidadãos tratar de viver numa sociedade livre, igualitária, que não despreze ninguém, que não fale mal de ninguém, onde caibam todos”, afirmou.

    A exposição reúne retratos de autores que, em diferentes contextos históricos, enfrentaram a perseguição política, a prisão ou a censura, bem como de escritores que fizeram da defesa da liberdade uma das principais bandeiras da sua obra e intervenção pública.

    Para Pilar del Río, estas histórias assumem uma particular relevância num momento em que, considera, surgem novas ameaças às conquistas democráticas. A presidente da Fundação José Saramago alertou para o crescimento de movimentos que procuram excluir parte da sociedade e limitar direitos fundamentais.

    “Algumas pessoas, por essas ideias, pagaram muito caro. Outras conseguiram ser mais inteligentes que os ditadores, que os atuais neo-ditadores e neofascistas”, referiu, apontando como exemplos a defesa dos direitos dos imigrantes, da escola pública e da saúde pública.

    Segundo Pilar del Río, começam já a surgir sinais preocupantes de intolerância perante quem defende estes princípios. “Há pessoas que começam a sofrer por defender essas ideias, porque estamos a entrar numa fase muito, muito perigosa”, advertiu.

    Nesta entrevista marcada pela preocupação com o contexto político e social internacional, deixou ainda um apelo à participação cívica e à vigilância democrática, considerando que a resposta depende essencialmente da ação dos cidadãos. “São os cidadãos os únicos que podem dizer não. Se os cidadãos não dissermos não, isto vai ser muito feio, muito mau para a maioria”, concluiu.

    A exposição de Daniel Mordzinski, conhecido internacionalmente como “o fotógrafo dos escritores”, integra um dos momentos centrais da programação do BABELL. A exposição "Imagens Cativas"cruza literatura, memória e compromisso cívico através dos rostos de autores que marcaram a história contemporânea e a defesa da liberdade.