Projeto de monitorização da lagoa de Óbidos vence Ocean Hackathon

    O Ocean Hackathon integra uma rede internacional de inovação dedicada ao desenvolvimento de soluções para os desafios do Oceano.

    O projeto de uma “plataforma de inteligência ambiental” para monitorização da lagoa de Óbidos venceu a 3.º edição do Ocean Hackathon e vai representar Portugal na final internacional da competição, em França.

    Denominado Lagoa Risk Radar, o projeto propõe o desenvolvimento de uma plataforma para acompanhar a evolução da Lagoa de Óbidos, nos concelhos de Óbidos e das Caldas da Rainha, distrito de Leiria, com base num protótipo que já integra informação real, divulgou a Universidade de Leiria e Oeste (ULO).

    A 3.ª edição do Ocean Hackathon decorreu na Escola de Turismo e Tecnologia do Mar (ESTM), em Peniche, entre os dias 16 e 18 deste mês.

    O Lagoa Risk Radar “procura responder a um desafio concreto”, já que, “apesar da quantidade de informação ambiental e de conhecimento científico existente, estes [se encontram] frequentemente dispersos e nem sempre são facilmente acessíveis ou transformados em informação útil para apoiar decisões”, explica a ULO em comunicado.

    A solução, descreve, “passa pela integração de dados oficiais, observações ambientais, conhecimento científico e inteligência artificial numa plataforma que permita acompanhar a evolução da lagoa e identificar alterações relevantes”.

    O protótipo que venceu o concurso “já integra informação real proveniente de diferentes fontes e permite demonstrar, através de cenários simulados, o potencial de uma monitorização ambiental contínua e de uma futura capacidade de antecipação de alterações”, acrescenta-se na nota sobre o projeto, que vai representar Portugal na final internacional da competição, agendada para 10 de dezembro, em Brest, França.

    Entre os próximos passos estão o aprofundamento da integração de medições locais, o reforço da validação científica e a aproximação da plataforma às entidades e comunidades que conhecem e dependem da lagoa de Óbidos.

    O projeto foi desenvolvido por Rafael Bugia, promotor individual do desafio, Miguel Oliveira, investigador do MARE - Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, Diogo Santos, estudante da ESTM, e Pedro Durães, estudante da Escola de Tecnologia e Gestão, todos da ULO.

    A equipa manifestou a “ambição de transformar o protótipo num observatório ambiental permanente, capaz de contribuir para uma gestão mais informada, preventiva e sustentável da lagoa de Óbidos e, futuramente, de outros ecossistemas costeiros”, pode ler-se no comunicado.

    A 3.ª edição do Ocean Hackathon reuniu 20 participantes, organizados em cinco equipas e apoiados por 15 ‘coaches’ de diferentes áreas, que trabalharam durante 48 horas no desenvolvimento de soluções para desafios relacionados com o oceano, com base na análise e utilização de dados.

    “É impressionante ver a capacidade das equipas para, em apenas 48 horas, desenvolverem ideias e apresentarem soluções inovadoras, com potencial para responder a desafios reais relacionados com o oceano”, afirmou o responsável pela organização local do Ocean Hackathon, Celso Alves, citado no comunicado.

    De acordo com este responsável, o evento representa um ponto de partida para o desenvolvimento do ecossistema de inovação azul em Peniche, “aproximando a academia, a investigação e desenvolvimento e a indústria”, e dando à equipa vencedora a oportunidade de integrar diretamente o programa de ideação dinamizado pelo SmartOcean – Hub Peniche, com vista a dar continuidade ao desenvolvimento da solução e a criar condições para a sua futura aplicação.

    O Ocean Hackathon integra uma rede internacional de inovação dedicada ao desenvolvimento de soluções para os desafios do Oceano.

    A edição de Peniche foi organizada pelo polo local da Rede Hub Azul – Smart Ocean, em parceria com a ESTM, o MARE, o CiTUR – Centro de Investigação, Desenvolvimento e Inovação em Turismo, o município, a BLUEBIO ALLIANCE, a FCCN e a Rede Hub Azul Portugal.