Rock 'n' Law de volta e desta vez para ajudar deslocados da guerra na Ucrânia

    Grupo de advogados organiza festival de rock solidário. A ajuda é para um centro de integração de deslocados de guerra da Associação de Ucranianos em Portugal.

    A iniciativa Rock 'n' Law nasceu em 2009, quando um grupo formado por elementos de várias sociedades de advogados criou um festival de música com um propósito: angariar fundos para projetos de solidariedade social. O cartaz do evento tem juntado uma série de bandas, compostas por advogados, cuja missão é abraçar projetos de cariz solidário. Até aos dias de hoje o Rock 'n' Law angariou mais de 800 mil euros que repartiu por diferentes urgências sociais. A edição deste ano - que conta com nove bandas e um DJ em palco - acontece a 30 de setembro.

    A ideia solidificou-se e, ao longo dos anos, multiplicou-se no apoio a diferentes causas, tendo o conceito inclusivamente chegado a Espanha. 2022 marca o regresso do Rock 'n' Law aos palcos físicos, depois da suspensão provocada pela pandemia, e com uma nova causa: apoiar os deslocados que escolheram Portugal como refúgio da guerra - mais precisamente a Associação de Ucranianos de Portugal e o projeto Centro de Integração para os Refugiados.

    Francisco Proença de Carvalho, da organização, esteve hoje, 3 de junho, na Rádio Comercial Ucrânia para explicar o conceito da iniciativa e de que forma é que a ajuda será prestada. 

    "Organizamos este festival de rock de advogados todos os anos mas estamos cada vez mais abertos e temos cada vez mais participantes", começou por dizer Francisco Proença de Carvalho a Marcos Fernandes e Viktoriya Strachenko.

    "Todos os anos temos uma causa diferente. Já apoiámos pessoas sem-abrigo, a luta contra o cancro, pessoas mais idosas, a luta contra a fome. Demos um impulso muito grande ao projeto, hoje muito conhecido, Refood. É uma festa solidária organizada por 14 sociedades de advogados concorrentes que se juntam anualmente para apoiar causas. Este ano, temos mais uma causa e é uma causa que nos parece óbvia. No dia 30 de setembro, lá estaremos para apoiar os refugiados ucranianos que estão em Portugal".   
     


    O apoio será prestado em várias vertentes: será dado apoio à educação, mas também apoio alimentar, em questões de saúde, apoio jurídico e à integração profissional. Será ainda criada uma Linha de Apoio Psicossocial que encaminhará os pedidos de ajuda de forma rápida. "Esta associação precisa de um impulso para criar um centro de acolhimento de refugiados, para que os possa integrar quer a nível de educação, apoio jurídico, apoio solidário mais elementar como a alimentação. No fundo, serve para apoiar todas estas tarefas de integração que exigem organização. Queremos fazer a diferença para criar este núcleo de integração que será desenvolvido por esta associação", conta Francisco Proença de Carvalho.


    "A verba [angariada] depende sempre do resultado final. As sociedades organizadoras dão um donativo inicial que cobre as despesas. Sendo esta uma iniciativa até bastante profissional, as despesas ainda são relevantes. Temos um palco à séria, como se fosse um festival de música profissional. Vamos ter nove bandas em palco e um DJ numa noite", disse o organizador da iniciativa.

    "Temos uma componente muito importante no financiamento que são os nossos patrocinadores - empresas portuguesas de diferentes áreas, multinacionais, bancos. Esses patrocinadores já confiam no Rock 'n' Law como uma plataforma de ajuda a causas sociais. Outro elemento muito importante são as cerca de 2 mil pessoas que vão a este evento. Com um contributo mínimo de 20 euros têm acesso ao evento e, caso não queiram ir ao festival, podem contribuir de outra forma. Divulgaremos os dados para os donativos nas nossas redes sociais. Todos os donativos serão entregues à associação".

     

    Pavlo Sadokha também esteve na Rádio Comercial Ucrânia, a representar a associação que preside. O presidente da Associação dos Ucranianos em Portugal agradeceu o gesto solidário e sublinhou que as verbas angariadas vão reverter para o centro de integração de deslocados de guerra, que vai estar representado em várias cidades portuguesas, tendo em conta os vários núcleos da associação espalhados pelo país. 

    Pavlo Sadokha não olha para os milhares que estão a fugir da guerra para outros países como refugiados mas sim como deslocados, uma vez que acredita tratar-se de uma situação temporária.