Semana Europeia da Fertilidade começa esta segunda-feira

    No dia do arranque, Movimento +Fertilidade avança com recomendações estratégicas, que procuram soluções urgentes para melhorar o acesso a cuidados de fertilidade.

    O Movimento +Fertilidade quer que o Governo crie uma consulta de aconselhamento nos centros de saúde, entre os 20 e 35 anos, e tempos máximos de resposta na Procriação Medicamente Assistida em função da idade.

    Estas medidas fazem parte de um conjunto de 15 recomendações organizadas em três eixos – Literacia, Trabalho e Acesso –, que procuram soluções urgentes para melhorar a informação, a conciliação laboral e o acesso a cuidados de fertilidade.

    Semana da Fertilidade

    Divulgadas no arranque da Semana da Fertilidade, que começa esta segunda-feira, as recomendações resultam de uma análise comparativa das políticas de vários países europeus e surgem no mesmo dia em que é divulgado um estudo que mostra que quase sete em cada dez jovens entre os 18 e 34 anos mudariam os planos de ter filhos se, no futuro, tivessem de cuidar de um familiar.

    Para responder ao desafio demográfico português e ajudar a que os jovens possam ter filhos a tempo, o Movimento +Fertilidade, que envolve a Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução, a Associação Portuguesa de Fertilidade e a subespecialidade de Medicina da Reprodução da Ordem dos Médicos, avança com 15 recomendações estratégicas, incluindo o alargamento do acesso à preservação da fertilidade por razões não médicas.

    As medidas, que serão acompanhadas de um pedido de reunião para discutir com o Governo a melhor forma de as concretizar, preveem a revisão curricular obrigatória do ensino básico à universidade, integrando módulos de saúde e planeamento que abordem temas como a janela biológica, a fertilidade masculina e o impacto do estilo de vida.

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    Recomendações estratégicas do Movimento +Fertilidade

    O movimento aponta ainda a necessidade de mais campanhas digitais com validação médica, com presença institucional permanente nas redes sociais, para desmistificar as tecnologias de reprodução assistida em faixas etárias mais avançadas.

    Quanto ao acesso, sugere o reembolso total de três a seis ciclos de tratamento, a comparticipação pública garantida para o segundo filho e a comparticipação a 100% das dádivas de gâmetas.

    Para eliminar o impacto das listas de espera no período da janela biológica para ter filhos, propõe ainda um sistema de 'voucher’, permitindo a escolha entre o setor público e o privado.

    Outra das recomendações prende-se com o alargamento da preservação, financiando-a em condições não oncológicas (endometriose e risco de menopausa precoce, por exemplo) assim como a reforma das “leis restritivas” sobre embriões e dádiva.

    O Movimento +Fertilidade propõe igualmente a criação de incentivos às empresas que apoiem a parentalidade e o cuidado de familiares e defende a substituição dos apoios financeiros únicos no nascimento por deduções fiscais “diretas e duradouras” especificamente para o segundo filho.

    Pede igualmente um “investimento crítico” em creches, com acesso a instituições públicas de qualidade desde o primeiro ano de vida e limite máximo de custos, à semelhança do modelo sueco, assim como flexibilidade na lei que garante a qualquer progenitor o direito de reduzir o horário em até 20%, sem possibilidade de recusa pelo empregador.

    Barómetro FutURe 2026

    As 15 recomendações são conhecidas no dia em que é divulgado o barómetro FutURe 2026, segundo o qual quase sete em cada dez jovens admitem mudar os planos de ter filhos se, no futuro, tiverem de cuidar de um familiar. Destes, 30% diz que adiaria a decisão.

    A perspetiva de conciliar estas responsabilidades surge num contexto em que 1,2% já cuida de um familiar, 43,3% considera provável que isso venha a acontecer e 30,3% muito provável, sobretudo para cuidar dos pais.

    Mais de oito em cada dez (80,7%) dizem que preferem garantir a estabilidade financeira primeiro e só depois ter filhos, num contexto em que mais de metade dos que responderam dizem que a instabilidade financeira é, de facto, o principal motivo para adiar a parentalidade.

    Os dados mostram ainda que, para estes jovens, o acesso à habitação (35,9%) é o principal desafio que Portugal enfrenta nos próximos 20 anos, seguido do envelhecimento da população (26%), da saúde mental (8,3%) e da baixa natalidade (8,2%).

    O inquérito, promovido pela Merk ouviu, em Portugal, 1.200 pessoas entre os 18 e os 34 anos e foi divulgado na véspera da Semana Europeia da Fertilidade, que se assinala de 02 a 08 de novembro.