Teatro tem mais público, mas "Cultura não é prioridade política em Portugal"

    Neste Dia Mundial do Teatro, o diretor artístico do Teatro D. Maria II, em Lisboa, pede mais financiamento e uma nova visão política para apoiar a criação artística.

    O diretor artístico do Teatro D. Maria II, Tiago Rodrigues, defende que é preciso mais financiamento e uma nova visão política para o apoio à criação artística. O apelo é feito nesta quarta-feira, dia 27 de março, data em que é celebrado o Dia Mundial do Teatro.

    O ano passado, centenas de profissionais da área protestaram contra o modelo de apoio às artes e exigiram um reforço das verbas disponibilizadas pelo Governo. Agora, Tiago Rodrigues pede “coragem política” para melhorar o universo cultural no país.

    “Mais do que o aumento do financiamento, que é muito importante, é preciso uma nova visão sobre como esse dinheiro pode transformar o país através da Cultura. Existe alguma esperança, mas é preciso ir mais longe”, garante.

    Mais público e mais receitas para o Teatro

    De acordo com os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), o Teatro tem crescido em número de receita, espetadores e sessões. Em 2016, 2,5 milhões de portugueses foram ao Teatro, um aumento de 60,5% em relação aos últimos 20 anos.

    Tiago Rodrigues defende que estes números devem-se ao trabalho dos programadores artísticos que estão focados em “aproximar e democratizar o acesso ao teatro”. “Tem sido feito um esforço para aproximar o Teatro das pessoas e são muitos os projetos que têm mostrado que estes locais pertencem a todos os cidadãos”, diz.

    Para o diretor do Teatro D. Maria II ainda há um longo trabalho de descentralização para fazer. Tiago Rodrigues diz que é preciso “carregar no acelerador” nesta matéria. “Temos estado em ‘ponto morto’ durante muitas décadas e este é um trabalho importantíssimo”, acrescenta.