Uma viagem até ao fim do Universo… sem sair de Lisboa

    E se pudesse viajar pela Via Láctea, assistir ao nascimento de uma estrela, aproximar-se de um buraco negro e regressar à Terra em poucos minutos?

    Olhar para o céu como nunca antes. É esse o ponto de partida da experiência imersiva Smithsonian Viagem Pelo Cosmos, que convida os visitantes a explorar o Universo através de realidade virtual e dados científicos reais.

    A viagem começa no Observatório Whipple, no Arizona, gerido pelo Smithsonian Astrophysical Observatory. Longe das luzes das cidades, os participantes são convidados a observar as estrelas e a recordar uma relação com o céu que acompanha a humanidade desde os tempos mais antigos.

    Durante séculos, as estrelas serviram para criar calendários, prever estações, navegar e construir conhecimento científico. A invenção do telescópio veio, depois, mudar radicalmente a forma como vemos o Universo. A experiência recupera essa evolução e apresenta alguns dos instrumentos que permitiram ampliar os limites do conhecimento, como o Hubble, o Chandra e o telescópio espacial James Webb.

    A viagem leva os participantes até à Via Láctea, onde podem observar a nossa galáxia de fora e localizar o Sistema Solar. A cerca de 27 mil anos-luz do centro galáctico, o Sol surge como uma pequena estrela num Universo de dimensões quase inimagináveis.

    O percurso aproxima-se depois do Sol, uma estrela com cerca de 4,6 mil milhões de anos e tão grande que mais de um milhão de planetas Terra poderiam caber no seu interior. A energia produzida pela estrela é essencial para a existência de vida no nosso planeta, mas o Sol também está sujeito a violentas tempestades e erupções solares que podem afetar satélites e sistemas de comunicação.

    A experiência permite ainda ouvir ondas sonoras associadas à atividade solar, transformando dados científicos numa experiência sensorial para os visitantes.

    Da nossa estrela, a viagem segue para regiões onde nascem novos mundos. Um dos momentos centrais acontece nos chamados Pilares da Criação, uma enorme região de gás e poeira situada na Nebulosa da Águia, conhecida pelas imagens captadas pelo telescópio espacial Hubble.

    É neste ambiente que novas estrelas se formam. A gravidade comprime progressivamente o gás e a poeira até que o núcleo de uma futura estrela atinge condições suficientes para desencadear a fusão nuclear.

    A experiência mostra, assim, que o nascimento de uma estrela pode também estar na origem de novos planetas. Mas nem todos os mundos reúnem as condições necessárias para a vida.

    Um dos destinos é o exoplaneta Jansen, um mundo extremamente quente que orbita muito próximo da sua estrela. A comparação serve para explicar um dos conceitos fundamentais da procura de vida fora da Terra: a chamada zona habitável, a região em torno de uma estrela onde as condições podem permitir a existência de água líquida à superfície.

    A Terra surge, desta forma, como um planeta com uma combinação particularmente rara de fatores.

    Mas as estrelas também morrem

    A viagem conduz os visitantes até Betelgeuse, uma supergigante vermelha situada na constelação de Orion. Muito maior do que o Sol, a estrela encontra-se numa fase avançada da sua evolução e é apresentada como exemplo do destino das estrelas massivas.

    Quando uma estrela deste tipo termina a sua vida numa supernova, lança para o espaço enormes quantidades de matéria. Elementos como o cálcio e o silício, essenciais para a formação de planetas e para a própria vida, são produzidos ou distribuídos através destes processos cósmicos.

    O que resta do núcleo de uma estrela massiva pode transformar-se numa estrela de neutrões ou, dependendo da sua massa, num buraco negro.

    É precisamente aí que a experiência chega a um dos seus momentos mais impressionantes: Sagittarius A, o buraco negro supermassivo situado no centro da Via Láctea.

    Com uma massa equivalente a cerca de quatro milhões de sóis, Sagittarius A exerce uma força gravitacional tão intensa que, depois de atravessar o horizonte de eventos, nem a luz consegue escapar.

    A realidade virtual permite aproximar os visitantes deste ambiente extremo e observar o comportamento da matéria perante uma gravidade tão intensa. É também uma oportunidade para explicar fenómenos como os eventos de perturbação de marés, que acontecem quando uma estrela se aproxima demasiado de um buraco negro e é destruída pela sua força gravitacional.

    A viagem termina de regresso à Terra.

    Depois de atravessar milhares de milhões de anos de história cósmica, o visitante reencontra o planeta onde tudo começou. A mensagem final é também uma das mais simples: os elementos que constituem o nosso planeta e os nossos próprios corpos têm uma história que remonta às estrelas.

    Do Big Bang ao nascimento das galáxias, das estrelas e dos planetas, passando pela morte de estrelas gigantes e pelos misteriosos buracos negros, a Smithsonian Viagem Pelo Cosmos transforma conceitos científicos complexos numa experiência imersiva e interativa.

    Uma viagem em que, durante alguns minutos, o visitante deixa de ser apenas espectador e passa a explorar o Universo por dentro. 

    A experiência "Smithsonian Viagem Pelo Cosmos" está patente ao público na Estação de Metro do Terreiro do Paço, em Lisboa e promete uma viagem imersiva pelo nascimento das estrelas, pela evolução dos planetas e pelos maiores mistérios do Universo. Uma oportunidade para olhar para o céu com outros olhos.