Violinista Shlomo Mintz em Portugal para três concertos em outubro

    O violinista israelita Shlomo Mintz vai atuar em Portugal em três concertos. A digressão arranca em Torres Vedras, a 1 de outubro, passando por Lisboa e Porto nos dias seguintes.

    O violinista israelita Shlomo Mintz vai atuar em Portugal em três concertos, que incluem obras de Beethoven e Nuno Côrte-Real, numa digressão que arranca em Torres Vedras, a 01 de outubro, passando nos dias seguintes por Lisboa e Porto.

    A primeira atuação do violinista, também destacado regente, um dos mais premiados e elogiados, pela crítica especializada, na atualidade, está agendada para o Teatro-Cine de Torres Vedras, onde interpretará o Concerto para violino e orquestra, em Ré maior, op. 61, de Ludwig van Beethoven, acompanhado pela Madrid Soloists Chamber Orchestra, dirigida pelo compositor e maestro Nuno Côrte-Real.

    O programa do concerto integra também a Sinfonia n.º 7, em La´ Maior, op. 92, do Mestre de Bona, que se sucederá à "Abertura Secondo Novecento", de Nuno Côrte-Real.

    Este concerto insere-se na programação da Temporada Darcos, que este ano se alarga a outras salas de Lisboa e Porto, destacando-se, nos dias 02 e 03 de outubro, respetivamente, a atuação de Shlomo Mintz na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa e na Sala Suggia da Casa da Música do Porto.

    Natural de Israel, Shlomo Mintz estudou com Isaac Stern e Dorothy DeLay, tornando-se num dos mais reputados violinistas da sua geração.

    Vencedor dos prémios Diapason d’Or, Gramophone e Edison, assim como do Grand Prix du Disque de França, tem, entre as suas mais conhecidas gravações, as Sonatas e Partitas, de Johann Sebastian Bach, os concertos para violino de Mozart, Mendelssohn, Brahms, Bruch, Sibelius e Prokofiev, entre outros compositores, atravessando todo o repertório para violino, da expressão barroca de Vivaldi, à modernidade de Igor Stravinsky.

    A sua gravação do Concerto para violino de Beethoven, com a Philharmonia Orchestra e o maestro Giuseppe Sinopoli, no final da década de 1980, foi uma das mais premiadas, na época, mantendo-se entre as primeiras escolhas nos principais guias de música clássica. O disco inclui igualmente os Romances n.ºs 1 e 2 para violino e orquestra, de Beethoven, então ainda pouco conhecidos do grande público.

    "O virtuosismo e expressividade [de Shlomo Mintz] são características ideais para abordar uma obra de profunda transcendência, o Concerto para violino, op. 61, de Beethoven", sustentou a organização numa nota à imprensa, em que considera a presença do violinista em Portugal como "um dos acontecimentos musicais de 2022".

    O Concerto para violino, op. 61, de Beethoven, foi escrito em escassas semanas, e estreado em 23 de dezembro de 1806, sem grande sucesso.

    Numa época em que os concertos tinham como objetivo último exibir as habilidades técnicas do solista, com a orquestra em pano de fundo, "Beethoven escreveu um diálogo íntimo entre o violino e a orquestra, duas entidades musicais que se iluminam mutuamente, num discurso musical de grande lirismo", pode ler-se na nota de apresentação.

    Esta abordagem disruptiva repete-se na Sinfonia n.º 7, op. 92, "considerada por muitos como a melhor sinfonia de Beethoven", referem os organizadores da Temporada Darcos sobre a obra escrita entre 1811 e 1812, na cidade termal de Teplitz, dedicada ao conde Moritz von Fries.

    A peça estreou-se na Universidade de Viena (Áustria), a 8 de dezembro de 1813, dirigida pelo próprio compositor, apresentando "um novo paradigma musical, alterando, para sempre, o curso da História da Música Ocidental".

    "A subversão da ideia de melodia, sem o irresistível apelo galante do formalismo clássico, com motivos musicais menos delineados, ao invés de elemento temático, são catalisadores de liberdade criativa, assim como o timbre, densidade e intensidade, apresentados como parte integrante da própria estrutura, e não meros acessórios decorativos", refere a organização da Temporada Darcos, sobre esta obra do compositor, que antecede, em mais de uma década, a Sinfonia n.º 9, "Coral", que termina com o conhecido "Hino à Alegria", concluída em 1824.

    Sobre a "Abertura Secundo Novecento", op. 25 (2005), de Nuno Co^rte-Real, destaca a organização do concerto que se trata de uma peça que "contraria os cânones formais das convenções musicais impostas pelo 'mainstream' da segunda metade do século XX, apresentando o pluralismo e diversidade dos múltiplos estilos musicais deste período".

    Os três concertos da Temporada Darcos, com o violinista Shlomo Mintz por protagonista, têm início às 21:30 e os bilhetes já se encontram à venda, adiantou a organização.