Viveram o 25 de Abril e passados 50 anos continuam a descer a Avenida

    De cravo na mão e com a memória presente reforçam a importância de comemorar a Revolução de Abril.

    A avenida da Liberdade encheu-se este sábado de "muitos, muitos mil para continuar Abril". Entre cravos e palavras de ordem, há quem já participe no Desfile Popular há mais de meio século.  

    Elisabete e Francisco: "Abril ainda não está cumprido"

    Elisabete e Francisco já eram casados quando aconteceu a revolução. Francisco "já estava mais ou menos atento" e "percebeu que havia qualquer coisa" a acontecer. A 25 de Abril de 1974 "andaram o dia todo na rua".

    Desde a revolução nunca faltaram a uma manifestação do 25 de Abril e garantem que não o farão: "não há partidos daqueles horrorosos" que os façam desistir de vir. Hoje "vive-se uma democracia coxa" porque "Abril ainda não está cumprido". Todos os anos almoçam na Associação 25 de Abril para ver amigos que "cada vez são menos".

    É o "saudosismo" de "tempos maravilhosos que não voltam mais" que os leva a não falhar o Desfile Popular.

    Maria: "Enquanto os joelhinhos deixarem eu estarei aqui sempre"

    Lembra-se de participar no Desfile Popular desde que começou. Maria tinha 14 anos quando se deu o 25 de Abril de 1974. Quando soube estava a caminho do Liceu, mas a mãe não a deixou sair de casa: havia uma expectativa: "o pai tinha pertencido, antes de casar, à oposição". A primeira vez em que desceu a Avenida da Liberdade, no dia 1 de maio de 1974, "foi uma alegria" em que a adolescente Maria chegou a fazer trabalho comunitário.

    Continuará a descer a Avenida da Liberdade "enquanto os joelhinhos deixarem". Nos dias que correm é preciso recordar aos "meninos e meninas que dizem que antigamente é que era bom" que não sabem, brinca que devem ter tido "péssimas professoras de História" - suas colegas de profissão - e que é "imperativo recordar-lhes como era". É por não "aprender com os erros do passado" que Maria começa a ver "um mundo a ficar igualzinho ao que aconteceu no período pré-Segunda Guerra Mundial" o que a deixa "extraordinariamente preocupada".

    Celeste: "Que a liberdade se mantenha"

    Tinha dezoito anos quando se deu a Revolução. Desde 1974 nunca faltou às comemorações da Revolução, para "festejar a liberdade". Apesar de ter começado o curso "ainda no antigo regime" foi "professora de Abril" e viu "as coisas mudarem para muito melhor".

    Já aposentada espera "que a liberdade se mantenha" já que "quem viveu antes sabe que é necessário que os jovens continuem a levar a liberdade em frente todos os dias".

    Margarida: "Não me canso de dizer aos jovens que não deixem fugir este 25 de Abril"

    Viveu trinta e quatro anos em ditadura. Desde que foi o 25 de Abril, todos os anos está a meio da Avenida. Nas mãos segura um cartaz que recorda que não se podia "ler os livros que queria, ouvir as músicas de que gostava, votar livremente, reunir com os amigos à vontade e beijar o marido na rua". Mas estas não são as únicas, "muitas outras que não podiam ser feitas não estão no cartaz". Defende que a revolução "foi uma coisa maravilhosa" e não se cansa de dizer aos jovens "que não deixem fugir este 25 de Abril tão bom". 

    Admite que atualmente estamos a "perder qualidade na nossa vida por causa de valores que não interessam para nada". O desejo é que esta "manifestação tão grande e tão bonita" seja um sinal de bons tempos.