Zero registou mais de 80 restrições a banhos nas praias entre maio e julho

    Associação ambientalista está preocupada com o agravamento da qualidade das águas balneares.

    A associação ambientalista Zero registou mais de 80 restrições a banhos durante esta época balnear entre maio e julho, um agravamento face ao mesmo período do ano passado.

    "Em Portugal continental, onde se identificaram 526 águas balneares em 2025 e 523 em 2026, registaram-se, entre maio e julho, 51 restrições ao banho em 2025 e 84 em 2026 - mais 33 restrições, um aumento de 65%", refere a Zero em comunicado divulgado esta terça-feira.

    A contaminação microbiológica — por Escherichia coli e/ou Enterococos intestinais — foi a causa mais frequente, correpondendo a 33 dos 45 desaconselhamentos e a 34 das 39 interdições em 2026.

    Balanço até 30 de agosto 

    A Zero fez ainda um balanço até 30 de agosto (sem dados dos Açores e só com dados parciais da Madeira), em que identificou 68 águas balneares em todo o país que tiveram pelo menos uma vez água imprópria para banho, num total de 87 ocorrências.

    "Das 68 águas balneares que registaram pelo menos uma ocorrência de água imprópria para banho na presente época, 32 são interiores, 29 costeiras e 7 de transição", adianta.

    Duas praias em destaque pelo número de ocorrências foram Unhais da Serra, na Covilhã, com quatro ocorrências, e o Cabedelo, na Figueira da Foz, com três.

    "Por município, é Matosinhos que regista o maior número de águas balneares afetadas (sete), todas costeiras: Agudela, Angeiras Sul, Cabo do Mundo, Marreco, Matosinhos, Memória e Quebrada, num total de nove ocorrências de água imprópria para banho", sublinha.

    Zero preocupada com o agravamento da qualidade da água

    A ZERO manifesta-se preocupada "com a incapacidade, ano após ano, de reduzir as ocorrências de água imprópria para banho. (...) Entre deficiências na rede de saneamento, descargas agropecuárias e industriais e poluição difusa, as causas destas ocorrências não estão a ser devidamente identificadas nem corrigidas."

    Para além de medidas de prevenção, a associação ambientalista diz que "é necessária uma ação inspetiva forte e sistemática, com identificação clara de responsabilidades."