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23 abril 2024
16:57
Agência Lusa

Estudantes escrevem ao ministro da Educação contra "caminho de privatização" do ensino superior

Estudantes escrevem ao ministro da Educação contra "caminho de privatização" do ensino superior
Element5 | Unsplash
Os estudantes vão entregar uma carta aberta à tutela no dia 30 de abril.

Uma dezena de associações estudantis escreveram ao ministro da Educação, Ciência e Inovação contra o que dizem ser um “caminho de aprofundamento da privatização” do ensino superior, numa carta aberta que será entregue na próxima semana.

A carta aberta, divulgada hoje, foi subscrita por associações estudantis de 10 instituições de ensino superior e será entregue no Ministério da Educação, Ciência e Inovação em 30 de abril, durante uma concentração a partir das 17h00.

No texto, os estudantes dirigem-se ao ministro Fernando Alexandre e deixam críticas ao programa do Governo, apresentado há duas semanas, que dizem abrir um caminho de “aprofundamento da privatização e da mercantilização do ensino superior”.

Cerca de um mês após uma manifestação em Lisboa, que juntou milhares de universitários contra as propinas, por mais apoios e melhores condições, as associações escrevem agora que “o caminho deste Governo não é o caminho que os estudantes querem”.

E especificam, insistindo no fim das propinas, taxas e emolumentos, “indiscutíveis barreiras económicas no acesso e frequência do ensino superior e um ataque ao seu caráter público”, o aumento do valor das bolsas e a simplificação do processo de candidatura, para que “não afaste os estudantes das bolsas no meio de tanta burocracia”.

Sobre um dos principais problemas atuais – a falta de alojamento – os estudantes recusam “depender do privado e do seu caráter especulativo” e exigem que seja o Estado a assegurar alojamento público.

Referem ainda o preço da refeição social, a falta de psicólogos, o subfinanciamento das instituições, além da falta de representatividade dos estudantes nos órgãos de gestão, que querem ver reforçada no âmbito da revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior, iniciada pelo anterior executivo.

Por outro lado, reafirmam as críticas à orgânica do Governo e, admitindo que “o que conta são as políticas”, lamentam a fusão dos ministérios da Educação e Ensino Superior e a ausência de um secretário de Estado do Ensino Superior, sinais que não representam a valorização do setor.