Ouça a Smooth FM em qualquer lado.
Faça o download da App.
15 maio 2024
11:57
Redação / Agência Lusa

Governo "não promoverá ações para reparar outros Estados pelo passado"

Governo "não promoverá ações para reparar outros Estados pelo passado"
Lusa
Executivo prepara cursos sobre tétum e crioulo e rejeita ressentimento histórico.

O Governo português vai criar programas de investigação, cursos e cátedras sobre tétum e crioulo, anunciou o ministro dos Negócios Estrangeiros, que defendeu “reconciliação e não ressentimento”, durante o debate pedido pelo Chega sobre reparações históricas.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros e o Ministério da Educação estão a “desenvolver esforços para criar nas faculdades de letras portuguesas programas de investigação, cursos e até cátedras de tétum, crioulo, línguas timorense, cabo-verdiana, guineense e são-tomense”, afirmou Paulo Rangel, no final do debate de urgência sobre as declarações do Presidente da República “em relação à reparação histórica das ex-províncias ultramarinas”.

“Estas línguas são um tesouro cultural da nossa história comum, têm uma enorme influência da língua portuguesa que está por investigar, por estudar e por divulgar. É este o sinal que queremos deixar aos portugueses, à Assembleia da República e aos povos irmãos falantes de português”, disse o governante.

Paulo Rangel comentou que o executivo “não se revê nem adota a terminologia utilizada” pelo Chega, sublinhando: “A verdade histórica exige que não falemos de ex-províncias ultramarinas, mas de ex-colónias”.

Paulo Rangel

Na sua intervenção, reiterou que o Governo português não promoverá “qualquer processo ou programa de ações específicas com o propósito de reparar outros Estados pelo passado colonial português”, mas admitiu que “onde seja justo um pedido de desculpas”, Portugal fá-lo-á.

“São muitos os que querem que essas reparações se baseiem no ressentimento. O Governo português, os governos portugueses, não cultivam nem instigam o ressentimento. Cultivam o respeito mútuo e a reconciliação com a História, lá onde ela se imponha e justifique”, referiu o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.

“Portugal não tem medo da sua história. Lutará sempre pela isenção, imparcialidade e verdade histórica”, destacou.

Chega insiste em "traição à Pátria sem paralelo" por parte de Marcelo

André Ventura, foi o primeiro a intervir no debate de urgência que o Chega solicitou. Comoeçou por dirigir-se aos "milhares de antigos combatentes desta pátria, que se sentiram feridos e humilhados pelas declarações do Presidente, vai para os que tiveram de retornar das antigas colónia - sem um património que os segurasse". Considerou, de seguida, que havia nesta situação uma "traição à Pátria sem paralelo".

André Ventura

CDS apelida iniciativa de "institucionalmente infantil"

O líder parlamentar do CDS, Paulo Núncio, disse que o partido não aceita nunca "dar à Nação e ao mundo uma imagem de um Estado sem regras e de um Parlamento sem limites", e "o facto de discordarmos abertamente das declarações do Presidente é uma divergência política que assumimos com toda a frontalidade". No entando, considera que as declarações de Marcelor Rebelo de Sousa não fazem de si uma traidor.

Paulo Núncio

Acusação "absurda", considera o Bloco de Esquerda

Joana Mortágua defende que neste âmbito não só há "vítimas do passado mas do presente" e que outros países na Europa estão a ter a mesma discussão. A deputada bloquista acusou o Chega de ver nas declarações de Marcelo "um pretexto para ódio e vingança para a democracia", e considerou "absurda" a acusação de traição que faz de Portugal "uma anedota internacional".

Joana Mortágua

PS fala em "décadas de ações reparadoras concretas"

Pelo partido socialista foi Pedro Delgado Alves a tomar a palavra para referir as relações existentes com as antigas colónias, e como essa relação tem assentado em "décadas de ações reparadoras concretas", em várias áreas. O deputado rejeita participar em "teatros de enganos".

Pedro Delgado Alves

São algumas das reações ao debate pedido pelo Chega, no âmbito das eventuais reparações históricas às ex-colónias. O tema voltou a estar 'em cima da mesa' depois de o Presidente da República ter trazido a temática à praça pública durante as comemorações do 25 de Abril.