"A Banda Desenhada é uma arte que vive de contar histórias"

    No Dia Nacional da Banda Desenhada Portuguesa, Paulo Monteiro destaca a importância da celebração "de uma história com 170 anos".

    Esta sexta-feira assinala-se pela primeira vez o Dia Nacional da Banda Desenhada Portuguesa. Há exatamente um ano, a 18 de setembro de 2023, a Academia Nacional das Belas Artes reconhecia pela primeira vez a Banda Desenhada (BD) como uma "forma superior de expressão cultural e artística".
    Paulo Monteiro começou a participar em exposições de BD aos 13 anos. É autor e diretor do Festival Beja BD. Há  explica que este dia “celebra uma história com 170 anos de existência”. 

    A Banda Desenhada é a nona arte?
    Esta discussão da classificação das artes já surgiu no final do século XIX ou no início do século XX. Mas sim, é comumente aceito como a nona arte. Aos poucos tem conquistado esse estatuto
    A verdade é que os autores independentemente das classificações do estatuto, a BD ou a arte em geral, é uma questão de paixão e de dedicação. Portanto, é um apelo a que não se resiste, não é? Quando alguém faz um trabalho artístico é porque não consegue resistir a esse apelo.  Desde sempre que os atores de BD tiveram muito prazer a fazer o seu trabalho e sempre o fizeram, independentemente de ter este estatuto, de ser mais aceito ou menos aceito, de ser dirigido a este público ou àquele... A verdade é que os autores sempre trabalharam e continuam a trabalhar

    Em Portugal, o reconhecimento da BD tem crescido? 
    Sim. Aliás, a BD há muitas décadas que tem vindo a abraçar temáticas adultas e há muitas décadas que saiu de um nicho circunscrito à aventura ou ao humor - muitas vezes visto como feito para um público mais infantil, embora seja absolutamente necessário, naturalmente. Como no cinema, por exemplo, os desenhos animados há muitas décadas que sairam desse nicho para conquistar um público mais adulto e mais informado.
    Portanto, eu acho que isso tem acontecido no nosso país, como aconteceu já há muitos anos noutros países como a França, a Espanha, a Bélgica... Nós, um bocadinho mais tarde, mas acabámos por apanhar esse comboio.

    Que caminho ainda há para percorrer?
    Eu acho a BD uma arte maravilhosa porque tem uma série de potencialidades que se podem explorar a nível narrativo e a nível gráfico. E, na verdade, há muito para fazer. 
    A BD é também uma arte que vive de contar histórias. Há milhares de assuntos que é urgente abordar, que já são muitas vezes abordados no romance ou no cinema, e que a BD precisa urgentemente de abraçar.
    Isso tem acontecido nos últimos anos com temáticas mais introspectivas sobre a Guerra Colonial e uma série de assuntos que é urgente trazer para o dia a dia. Acho que essas temáticas mais pessoais, mais introspectivas, são também essas que colocam alguns desafios.